Dólar paralelo dispara e já afeta economia argentina

A cotação do dólar no mercado negro na Argentina, ou “dólar blue”, atingiu 9,34 pesos por unidade na sexta-feira, um recorde desde que houve a última troca de moeda, em 1991. Apenas este ano, o dólar subiu 35% no mercado informal, e a brecha em relação à cotação oficial da moeda, que é de 5,18 pesos, ficou em 80%.

A mais recente escalada do dólar ocorreu depois de um procedimento judicial que levou ao fechamento de 62 casas de câmbio, no início da semana passada, mas a alta da moeda no mercado paralelo acontece em um contexto em que diminuiu a velocidade da desvalorização oficial do peso, que está em 14% nos últimos doze meses, abaixo das estimativas de inflação na Argentina, de 22% a 25%. O número oficial, de 10% ao ano, é considerado manipulado e costuma ser ignorado por todos os agentes econômicos, dentro e fora do país.

 

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A escalada informal da moeda já está prejudicando a economia real da Argentina. O superávit acumulado da balança comercial caiu 47% no primeiro trimestre, recuando de US$ 2,5 bilhões para US$ 1,3 bilhão.

“Foi gerada uma expectativa de desvalorização a médio prazo. O setor exportador procura retardar suas vendas, esperando um câmbio mais conveniente, e o importador tenta antecipar suas compras, para aproveitar a cotação atual”, comentou o economista Arnaldo Bocco, ex-diretor do Banco Central e filiado à Frente Grande, uma das correntes que compõem a Frente para a Vitória, a principal aliança governista argentina.

Outro efeito da escalada é a paralisação de mercados normalmente indexados pelo dólar, como o imobiliário. Em 2012, foram lavradas apenas 46,6 mil escrituras em Buenos Aires, o menor número registrado desde 1998 e 27,2% inferior ao de 2011, de acordo com a associação local dos cartórios.

Antes do início da política de restrições cambiais na Argentina, em outubro de 2011, o mercado paralelo de dólar movimentava cerca de US$ 15 milhões por dia, ou cerca de 3% do mercado legal, que oscilava em US$ 500 milhões. Hoje, o mercado manejado dentro da legalidade movimenta cerca de US$ 200 milhões diários.

As travas cambiais aumentaram a procura pelo câmbio negro, operado em cerca de 3.000 “cuevas”, ou casas de câmbio ilegais, que funcionam discretamente em salas de sofisticados prédios de escritórios em Puerto Madero ou até nos fundos de comércios de bairro em Palermo. O hábito de décadas da população argentina de economizar em moeda estrangeira dificulta ao governo manter a cotação ilegal sob controle. Isso porque, ao aumentar a repressão, diminui a oferta e sobe o preço.

Estima-se que existam US$ 50 bilhões em espécie na Argentina, atesourados nas residências ou em caixas-fortes de bancos. Nem toda essa fortuna é proveniente de dinheiro ilegal: parte dela foi adquirida legalmente até meados do ano passado, quando o governo proibiu a compra de dólar com fins de investimento. O montante supera o das reservas internacionais do Banco Central da Argentina, que fecharam em US$ 39,7 bilhões. Outros US$ 150 bilhões foram enviados por argentinos ao exterior nos últimos dez anos, segundo estimativas privadas.

O histórico de fracasso dos governos argentinos em controlar a especulação com dólar é antigo. Em 1981, o presidente militar Roberto Viola decidiu retirar a Argentina da “tablita”, esquema pré-fixado de desvalorização diária da moeda que estava provocando um imenso atraso cambial. Oito anos depois, o então ministro da Economia Juan Carlos Pugliese tentou administrar expectativas em reuniões com grandes agentes econômicos. Nos dias seguintes, o valor da moeda nacional se liquefez.

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