“The Economist”: sem reformas, Dilma afugentou investidores

26/09/2013 às 15h0314

Por Valor

RIO DE JANEIRO – O Brasil, que estava “prestes a decolar” em capa da revista britânica The Economist em 2009, tomou um tombo e voltou ao chão, analisa, agora, a publicação, que voltou a dedicar uma capa à economia brasileira em sua edição lançada nesta quinta-feira, 26.

Em reportagem especial de 14 páginas dedicadas ao país, a Economist destaca que, depois de crescer 7,5% em 2010 — em plena crise mundial pós-quebra do Lehman Brothers — e ser escolhido sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o país cresceu só 0,9% no ano passado.

A publicação lembra, ainda, as manifestações em junho, quando “centenas de milhares tomaram as ruas nos maiores protestos de uma geração, reclamando da alta no custo de vida, serviços públicos ruins e da ganância e corrupção dos políticos”.

Na visão da revista, muitos agora perderam a fé na decolagem brasileira e diagnosticam apenas mais um “voo de galinha” — ou “chicken flight”, como publicou a Economist.

Bolsa-Família

A publicação não destaca só os momentos ruins do Brasil, também cita pontos positivos da economia brasileira, como a forte vocação exportadora de alimentos, obtida graças a “eficientes fazendeiros empreendedores”, chama o programa Bolsa-Família, do governo Lula, de “admirável”, e considera que há razões globais para a perda de força da economia brasileira, como a desaceleração dos demais emergentes, o fim da alta das commodities e do forte crescimento do crédito e do consumo.

Carga tributária

O texto, no entanto, é contundente nas críticas à presidente Dilma Rousseff. Segundo a reportagem, o Brasil fez poucas reformas durante os anos do “boom” e, além disso, o setor público é um peso muito grande para o setor privado, os gastos com previdência e aposentadoria são comparáveis aos da Europa, e as empresas enfrentam a carga tributária mais pesada do mundo.

“Impostos acrescentam 58% aos salários, e o governo tem suas prioridades de gastos invertidas”, diz a publicação.

Dilma

Por outro lado, os gastos com infraestrutura são apenas 1,5% do PIB, abaixo da média global de 3,8%, “insuficientes como um biquíni fio-dental”, compara a revista.

A publicação critica, ainda, o que chama de contabilidade criativa fiscal do governo Dilma, além do excesso de intervencionismo sobre o setor privado. “Esses problemas acumularam por gerações. Mas a sra. Rousseff tem se mostrado sem vontade ou capacidade para enfrentá-los, e criou novos problemas por interferir bem mais do que o pragmático Lula. Ela espantou investidores dos programas de infraestrutura e minou a reputação brasileira de retidão macroeconômica, ao pressionar publicamente o presidente do Banco Central a baixar juros”, diz, apontando que há, agora, a necessidade de elevar mais os juros para combater a persistente inflação.

Mapa da mina

O caminho para o Brasil voltar aos bons tempos, na opinião da Economist, é redescobrir o apetite por reformas e reformular os gastos públicos — o governo não pode recorrer ao contribuinte para conseguir dinheiro para atender as demandas dos protestos —, tornar as empresas brasileiras mais competitivas e, urgentemente, conseguir realizar uma reforma política, já que o país tem muitos partidos e, consequentemente, muitos ministérios.

“O Brasil não está condenado a fracassar; se a sra Rousseff assumir o controle do acelerador, ainda há chance de decolar novamente”, diz.

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