De uma fábrica caseira, a Killing tornou-se uma das maiores empresas do ramo no RS

ZERO HORA

Rio Grande que dá certo03/08/2013 | 13h01

Empresa com sede em Novo Hamburgo conta atualmente com quatro unidades e exporta para diversos países, que representam 8% do faturamento

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De uma fábrica caseira, a Killing tornou-se uma das maiores empresas do ramo no RS Charles Dias/Especial Milton Killing está, desde 2001, à frente da fabricante de tintas fundada por seu pai no início da década de 1960Foto: Charles Dias / Especial

João Vitor Novoa

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A dura rotina de acordar todos os dias cedo e sair à rua para pintar fachadas de lojas e ônibus nos anos 1950 foi recompensada na vida de Celestino Killing, 91 anos, patriarca da família que dá nome a uma das marcas de maior sucesso no país no ramo de tintas e adesivos.

Mal sabia ele que o negócio montado nos fundos de sua residência, em Novo Hamburgo, prosperaria a tal ponto que a sua empresa – a Tintas Killing – seria considerada uma das maiores do Rio Grande do Sul em seu segmento, com faturamento anual de R$ 260 milhões.

O negócio caseiro, no qual o fundador dividia o tempo com seis filhos, a mulher Hertha, resinas e outras matérias-primas necessárias para criar as cores que pouco a pouco começaram a fazer sucesso no Vale do Sinos, deu lugar a quatro fábricas. A primeira delas, fundada em 1962, em Novo Hamburgo, mantém-se como sede. A indústria tem hoje cerca de 2,5 mil itens, entre tintas, vernizes, massas, texturas, adesivos, solventes, aditivos e produtos complementares. Por lá, engenheiros trabalham durante o dia no laboratório de cores das tintas industriais e imobiliárias, além de desenvolver as colas para a indústria calçadista da região. A receita para esse sucesso veio com muito suor, obstinação e um método pioneiro de mobilizar os funcionários.

– Meu pai tinha uma teoria curiosa: "o chefe de família sempre tem de estar bem alimentado. Tanto faz se for homem ou mulher." Pensando nisso, ele foi o primeiro empresário da região a montar refeitório dentro da fábrica – lembra Milton Killing, 53 anos, filho de Celestino e presidente da companhia desde 2001.

VÍDEO: Confira a receita de Milton Killing para o Rio Grande dar certo

No processo de expansão para o Exterior, a empresa enfrentou dificuldades na Bolívia. Confiando no projeto de um parceiro comercial boliviano de longa data, a Killing, entre os anos 1970 e 1990, inundou o mercado daquele país com suas tintas e com a colaboração de empresário de Santa Cruz de La Sierra.

– O nosso principal parceiro no Exterior se envolveu com o narcotráfico. Foi preso em 1994. Ficou detido por uns cinco anos. Ele embarcou na promessa de lucro fácil, mas se deu mal – lembra Milton.

O promissor mercado boliviano, no entanto, continuou sendo explorado pela empresa gaúcha. Juntamente à parceria com uma distribuidora de Santa Cruz de La Sierra. A Casa Ortiz conquistou clientes e hoje domina o mercado local, responsável por 70% do comércio de adesivos.

Não é só na Bolívia que a Killing prospera. As exportações, que correspondem a 8% do faturamento, chegaram em países como Argentina, Peru, Equador, Colômbia, México e Paraguai.

As novas fábricas surfam na onda calçadista. Com a desvalorização do real em relação ao dólar no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso e a eventual fuga de parte da indústria para o Nordeste, a Tintas Killing abriu filial em Simões Filho, na Bahia, e em Pacatuba, no Ceará. A última inaugurada foi em Tres de Febrero, na Grande Buenos Aires.

Hoje, conta com 3,6 mil distribuidores de tintas imobiliárias na Região Sul do Brasil e em países na América Latina, além de 1,2 mil máquinas tintométricas.

Um dos negócios mais comemorados ocorreu no ano passado e envolveu algo que os Killing não costumam expor: a preferência clubística.

– Como empresa de tintas, prospectamos o Beira-Rio e a Arena como possíveis parceiros. Mas só conseguimos fechar com a Andrade Gutierrez para a pintura do Beira-Rio. O contrato foi bom, valeu a pena. Com a Arena, até tentamos, mas a OAS (construtora do estádio do Grêmio) já tinha outra empresa em mente. Aqui no Estado, a questão da paixão pelos clubes é algo complicado para as empresas.

A maioria nem pensa em patrocinar – conclui Milton Killing, único dos seis irmãos ainda a bater cartão todos os dias na Avenida 1º de Março, em Novo Hamburgo.

O perfil

Origem: Novo Hamburgo

Fundação: 25 de maio de 1962

Descrição: indústria de tintas imobiliárias e industriais e de adesivos

Faturamento 2012: R$ 268 milhões

Projeção de faturamento para 2013: R$ 280 milhões

Número de funcionários: 440

Unidades: Novo Hamburgo (sede), Simões Filho (BA), Pacatuba (CE) e Tres de Febrero, na Grande Buenos Aires, Argentina

Previsão para 2014: não há estimativa ainda

Exportação: representa 8% do faturamento. Clientes: Bolívia (maior parceiro estrangeiro), Argentina, Paraguai, Peru, Colômbia, Equador e México

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/noticia/2013/08/de-uma-fabrica-caseira-a-killing-tornou-se-uma-das-maiores-empresas-do-ramo-no-rs-4222220.html

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