Brasil registra em maio maior ingresso de dólares em quase 2 anos

05/06/2013 12h50 – Atualizado em 05/06/2013 13h12

Em maio, US$ 10,75 bilhões entraram na economia brasileira, informou BC.
Bancos absorveram todo ingresso, que não chegou na cotação do dólar.

Alexandro MartelloDo G1, em Brasília

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Com o início da colheita e da exportação da safra brasileira, o ingresso de dólares no país superou a retirada de moeda estrangeira em US$ 10,75 bilhões no mês de maio, de acordo com números divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Banco Central.

Ainda de acordo com dados oficiais, trata-se da maior entrada de recursos desde julho de 2011 – quando US$ 15,8 bilhões ingressaram na economia brasileira. Maio também foi o terceiro mês consecutivo de ingresso de recursos no Brasil.

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Na parcial dos cinco primeiros meses deste ano, a autoridade monetária informou que foi contabilizado o ingresso de US$ 12,17 bilhões no país, contra US$ 22,62 bilhões em igual período do ano passado.

Impacto na cotação do dólar
A entrada de recursos no país registrada em maio, segundo analistas, teoricamente favoreceria a queda do dólar. Isso porque, com mais moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia a ficar menor. No fim de abril, a cotação estava em R$ 2,00. No fim de maio, porém, estava cotada em R$ 2,14 – o maior valor desde maio de 2009.

A explicação para a alta é que os recursos que ingressaram no Brasil foram absorvidos pelas instituições financeiras no mês passado e, com isso, não chegaram a impactar a cotação do dólar para os consumidores. No fim de abril, as instituições financeiras estavam "vendidas" em US$ 5,11 bilhões no mercado de câmbio á vista. Já no final de maio, a posição passou a ficar "comprada" em US$ 5,4 bilhões.

Isso quer dizer que os bancos "absorveram" US$ 10,5 bilhões do ingresso total de divisas registrado no mês passado. "Os bancos estão vendidos no mercado futuro [de câmbio]. Eles seguraram na posição no mercado à vista para se proteger da alta do mercado futuro", explicou Sidnei Moura Nehme, da NGO Corretora, especialista no mercado de câmbio.

O economista explicou que o ingresso de divisas, registrado em maio, aconteceu basicamente por conta do início da safra agrícola e que, por isso, representou um "movimento pontual". "Tivemos movimentos pontuais do ingresso das safras, mas estávemos em um cenário em que a perspectiva era muito ruim quanto ao fluxo para o Brasil. Isso elevava a cotação do dólar", afirmou.

Com a retirada do IOF para capital estrangeiro em renda fixa, medida anunciada pelo ministro Guido Mantega nesta terça-feira, Nehme acredita que a cotação do dólar tende a cair, chegando a R$ 2,05 dentro de duas semanas. "O governo abriu o mercado para o dólar especulativo, que vem para renda fixa. Só vem buscar rentabilidade", explicou ele.

Contas comercial e financeira
O fluxo cambial brasileiro possui duas contas: a comercial, na qual são fechados os contratos de câmbio para operações de exportação e importação; e a conta financeira – que inclui as demais operações, como os investimentos estrangeiros diretos e os recursos para aplicações financeiras, além das remessas de lucros e dividendos e empréstimos tomados no exterior, entre outros.

Os números do BC mostram que o fluxo comercial registrou entrada de divisas de US$ 14,09 bilhoes em maio. Ao mesmo tempo, ainda segundo o BC, foi contabilizada a retirada de US$ 3,34 bilhões por meio da conta financeira no mês passado.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/06/com-inicio-da-safra-brasil-tem-maior-ingresso-de-dolares-em-quase-2-anos.html

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