Emergentes podem pux ar reação global

Por Daniel Rittner | Da Cidade do México

Joshua Roberts/Bloomberg
Lagarde destacou fim da desaceleração chinesa e retomada da economia brasileira

Com o fantasma de um “abismo fiscal” nos Estados Unidos e projeções de que a Europa continuará em recessão por mais dois anos, os países do G-20 começam a agarrar-se à esperança de que a retomada do crescimento no mundo emergente contribua para a recuperação da economia global, em 2013. A expectativa ficou patente na reunião de ministros da Economia e presidentes dos Bancos Centrais do G-20, que terminou ontem, no México.
Até mesmo a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, aproveitou o jantar oferecido às delegações dos países para apontar, em discurso informal, dois “destaques positivos” no que resta do ano: o fim da desaceleração chinesa e a retomada de um crescimento mais forte pelo Brasil.
“Os países emergentes têm carregado nos ombros o peso dos ajustes”, disse o ministro das Finanças do Chile, Felipe Larraín, que não faz parte do G-20, mas participou da reunião como convidado. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) apresentou projeções de que a recessão na Europa deverá durar até 2014, pelo menos. Atualmente, segundo o relato de Larraín, economias que representam 25% do PIB global ainda estão em contração.
Os riscos enfrentados pela economia mundial com a perspectiva de cortes de gastos e aumento de impostos nos EUA, caso o Congresso americano não prorrogue um conjunto de leis que expiram à meia-noite de 31 de dezembro, ocuparam o centro dos debates. “Estima-se que o impacto seria entre quatro e cinco pontos percentuais do PIB americano”, afirmou o ministro das Finanças do México, José Antonio Meade, na condição de presidente da reunião do G-20.
Foram lançados apelos, por todos os lados, para que se evite esse cenário. Se o pacote de leis fiscais não for renovado, o corte de gastos pode chegar a US$ 600 bilhões, reduzindo à metade o déficit americano em 2013. Até a chefe do FMI entrou na discussão. Questionada se uma vitória do candidato republicano Mitt Romney nas eleições presidenciais pode dificultar uma solução para o assunto, Lagarde foi taxativa: “Quem quer que seja eleito ou reeleito, vamos ter que atacar esse problema de frente. E não dispomos de muito tempo”.
A possibilidade de um abismo fiscal nos EUA recebeu destaque no comunicado final do G-20. Os países do grupo fizeram um apelo aos americanos para que “calibrem cuidadosamente o ritmo do aperto fiscal” para garantir um “caminho sustentável no longo prazo”, mas evitando o risco de uma “contração aguda” em 2013.
O comunicado fala em “crescimento global modesto” e riscos “ainda elevados” de desaceleração. As incertezas que cercam o orçamento no Japão, com o risco de um corte súbito dos gastos públicos na reta final de 2012, também ganharam menção.
A crise na Europa deixou de estar no centro das discussões, mas se manteve como um dos focos do G-20, sobretudo com alertas sobre “possíveis atrasos na complexa implementação de medidas anunciadas recentemente”.
Foi uma referência direta a medidas que devem ser executadas em 2013, como uma agência comum de supervisão bancária, e a discussões técnicas que precisam ser concluídas, como a possibilidade de recapitalização direta dos bancos pelo Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês).
Sem menção direta à Alemanha ou à Europa, mas destinada principalmente ao governo alemão nas entrelinhas, o G-20 conclamou países com “espaço fiscal” a pensar em mais incentivos para reativar a economia. “Se as condições econômicas se deteriorarem, aqueles com suficiente espaço devem estar prontos para incentivar a demanda, conforme as necessidades de curto prazo.”
Diante da escassez de boas notícias, houve um certo direcionamento de expectativas para o crescimento dos países emergentes, embora sem grande entusiasmo. O próprio governo brasileiro tratou de esfriar os ânimos.
“O crescimento nos emergentes foi menor do que o esperado, neste ano, mas já houve uma estabilização e começa um processo de retomada em quase todos eles”, disse o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Cozendey. “O quadro para o ano que vem é mais favorável. Entretanto, isso não é suficiente para a boa saúde da economia global.”
Cozendey observou uma pressão suave para que China e Alemanha assumam mais o peso de elevar a demanda e sustentar o crescimento mundial. “Na nossa visão, a China já tem se movido nessa direção, mas a responsabilidade não pode estar em cima dos emergentes. Nós mesmos, com um déficit em conta corrente controlável, já damos a nossa colaboração no Brasil. Mas não podemos, sozinhos, resolver essa equação”, afirmou o secretário.
Do lado brasileiro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, cancelou sua ida. O presidente do BC, Alexandre Tombini, participou ativamente das reuniões, mas evitou a imprensa e saiu do México sem fazer nenhuma declaração. Mais discreta ainda foi a delegação argentina, que faltou à entrevista coletiva marcada por ela mesma, onde havia a expectativa de explicações sobre a disputa com o fundos que cobram o pagamento integral de títulos da Argentina em situação de calote.

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