Brasil registra saída de US$ 896 milhões em agosto, a 2ª deste ano

Informações foram divulgadas nesta quarta-feira pelo Banco Central.
Houve entrada de dólares em todos os meses, exceto maio e agosto.

Alexandro MartelloDo G1, em Brasília

Central informou nesta quarta-feira (5) que a saída de dólares do Brasil superou o ingresso de moeda estrangeira no valor de US$ 896 milhões em agosto. Trata-se da segunda retirada de divisas do Brasil neste ano. A primeira aconteceu em maio, quando US$ 2,69 bilhões deixaram a economia brasileira.

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A saída de recursos acontece em meio à crise financeira internacional e, teoricamente, tenderia, por conta da existência de menos dólares no mercado, a impulsionar para cima a cotação da moeda norte-americana. Em agosto, porém, houve uma queda de 0,9% no preço do dólar, que fechou o último mês cotado em R$ 2,03, contra R$ 2,05 no fechamento de julho.

Contas comercial e financeira
O fluxo cambial brasileiro possui duas contas: a comercial, na qual são fechados os contratos de câmbio para operações de exportação e importação, e a conta financeira – que inclui as demais operações, como os investimentos estrangeiros diretos e os recursos para aplicações financeiras, além das remessas de lucros e dividendos e empréstimos tomados no exterior, entre outros.

Os números do BC mostram que o fluxo comercial registrou saída de divisas de US$ 674 milhões em agosto. Ao mesmo tempo, foi contabilizada a retirada de US$ 222 milhões por meio da conta financeira no mês passado.

Acumulado do ano
No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, ainda segundo números do Banco Central, houve um ingresso de US$ 22,98 bilhões na economia brasileira. Apesar de o saldo ainda estar positivo, houve uma forte queda de 61,5% na entrada de recursos no Brasil neste ano, visto que, entre janeiro e agosto do ano passado, houve o ingresso de US$ 59,81 bilhões no país.

Além da crise, a queda no ingresso de dólares na economia brasileira aconteceu também por conta da atuação do governo federal – que buscava estimular uma alta do dólar para proporcionar melhores condições de competitividade para as empresas brasileiras. Com o dólar mais alto, cai o valor das exportações e sobe o preço dos importados.

Em março, o Ministério da Fazenda anunciou a ampliação do prazo de incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para empréstimos buscados no exterior por empresas de dois para três anos. Posteriormente, o prazo de incidência do IOF majorado subiu para cinco anos. Com a saída de recursos registrada em maio, o prazo recuou para dois anos.

O Banco Central, por sua vez, definiu em março que os exportadores que desejarem receber antecipadamente por suas vendas externas, nos chamados pagamentos antecipados (PA), deverão enviar o produto ao exterior em até 360 dias – limitando, assim, estas operações. Até aquele momento, não havia prazo formal para o envio. Essa medida, posteriormente, também foi flexibilizada.

Outro fator que, teoricamente, também contribui para "aliviar" o ingresso de dólares no Brasil, e, consequentemente, a pressão pela queda da cotação da moeda norte-americana, são as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa de juros. Recentemente, os juros básicos caíram, na nona redução consecutiva, para 7,5% ao ano, o menor patamar da história.

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