Cadê o dólar? O cão tomou

Veja – 11/06/2012

As restrições impostas pelo governo de Cristina Kirchner inviabilizam a compra da moeda americana pelos argentinos, que voltaram a protestar nas ruas batendo panelas

Poupar em dólares é tão argentino quanto aquela horrível mistura de Fernet com Coca-Cola ou frequentar psicanalistas. A presidente Cristina Kirchner reconhece ter 3 milhões de dólares investidos. O vice, Amado Boudou, tem 93% das suas economias em dólar. Com a memória ainda viva da crise de 2001 e sob uma inflação anual de 25%, a atração pela moeda americana aumentou muito. Proteger-se estocando dólares, porém, está ficando cada dia mais difícil para os súditos da dinastia Kirchner. Quem quiser se candidatar a comprar dólares sem recorrer ao câmbio negro pode alegar uma viagem ao exterior. Nesse caso, será obrigado a preencher um exaustivo formulário declarando o motivo da viagem, a data e o número de acompanhantes. Depois, como bom súdito, o argentino tem de esperar pela aprovação oficial, que raramente vem. Em uma sintomática revelação do arcaismo da situação, o formulário do governo ainda registra como destinos a "Alemanha Oriental", a "Checoslováquia" e a "União Soviética". A rainha Cristina foi à televisão ameaçar os súditos informando que ela própria vai trocar seus dólares por pesos e quem não fizer o mesmo é um cidadão desleal e está se juntando aos inimigos da pátria.

Como é típico do primarismo intelectual do populismo salvacionista autoritário, a argumentação oficial do governo argentino despreza solenemente as realidades econômicas e recorre à propaganda e ao patriotismo de ocasião. Disse a presidente argentina na televisão: "Não pensem que há questões econômicas. Isso é uma batalha cultural". Obviamente é o contrário. Muitos argentinos estão a cada dia mais conscientes de que a marcha da insensatez da dinastia Kirchner está levando o país rapidamente para o abismo e, como é natural, querem estocar dólares para garantir um mínimo de segurança para eles e seus familiares. Ocorre que o governo também está desesperado para obter dólares, pois tem dívidas contraídas em moeda forte e, por enquanto, quer honrá-las. Na queda de braço pelo dólar escasso, o governo dobra a patuleia com medidas de força. Os súditos que saem da Argentina são revistados por agentes em busca de dólares. O arbítrio chegou ao ponto de a polícia argentina treinar cães para farejar dólares e euros. A cadela Larishka virou heroína do regime por ter encontrado 30000 dólares escondidos em um BMW. Sem oposição para representá-lo, o populacho recorre aos "panelaços", o ruidoso mas inócuo método de demonstrar sua revolta contra a cubanização da Argentina, onde, sob os Kirchner, estar de posse de dólares ou de cocaína é crime inafiançável. Fica a sugestão de palavra de ordem para a Casa Rosada: "Viva el país de los perros adiestrados".

Fonte: https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/6/11/cade-o-dolar-o-cao-tomou

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