Cinco perguntas para entender economia

Camila Camilo (novaescola@atleitor.com.br)

Spread, reformas na poupança, taxa básica de juros…explique o que significam os termos que os alunos vêem no jornal e esclareça o papel do governo nas mudanças econômicas mais recentes Nas últimas semanas, as notícias sobre a queda da taxa de juros e as mudanças
na poupança, tipo de investimento mais comum no país, não saíram dos jornais. Ajude a turma a entender o que está acontecendo e como o governo influencia na Economia. Ao compreender questões básicas deste ramo, fica mais fácil entender as mudanças no nosso bolso e na História do nosso país.

1. O que é a taxa básica de juros?
O governo federal brasileiro, assim como o resto do mundo, pega dinheiro emprestado para gastos em áreas como Infraestrutura, Saúde e Educação e também para financiar a dívida pública. Esta transação é feita por meio da venda de títulos públicos a compradores que lucram com os juros do pagamento.
O órgão no Brasil que administra o leilão de títulos é o Banco Central. Dentro dele há o Copom (Comitê de Política Monetária) que estabelece a Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), a taxa básica de juros. Ela é uma referência para o mercado financeiro e serve como piso para operações de empréstimo. Quando alguém pede dinheiro emprestado, por exemplo, vai pagar os juros com base na Selic.
O professor Roy Martelanc, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), explica que o cálculo da Selic inclui a inflação mais um valor que o governo pode alterar, a taxa real. Quando deseja incentivar o consumo, o que os economistas chamam de “aquecer a economia”, o Copom baixa a taxa real e o valor da Selic diminui. Já quando o objetivo é que as pessoas guardem dinheiro em vez de gastar, a taxa real aumenta. 2. Por que a presidente quer baixar a taxa básica de juros?
O objetivo atual do governo é estimular a economia. Quando a taxa é reduzida os bancos diminuem os investimentos nos títulos do governo e aumentam o crédito à população. Além disso, guardar dinheiro rende menos, por isso as pessoas gastam mais.
Ao adotar esta medida o governo espera que o consumo e a quantidade de dinheiro circulando aumentem. E que a maior demanda estimule o setor produtivo e a economia como um todo. O risco, por outro lado, é que muita gente comprando cause inflação, isto é, a diminuição do poder de compra pela alta dos preços.

3. Existe alguma relação entre a taxa básica e a inflação?
Sim. Porque a inflação é levada em conta na hora de formular a Selic e porque o aumento da taxa de juros desestimula o consumo e diminui os preços. O Brasil possui uma das maiores taxas básicas do mundo. Enquanto nos Estados Unidos ela fica por volta de 0,25% e na Inglaterra 0,5%, a Selic se aproxima dos 9%. “Isso acontece porque para os investidores, o risco de perder dinheiro aqui é maior do que em outros países pelo passado brasileiro de instabilidade política e inflação”, explica Roy.

4. O que é spread bancário?
O spread é a diferença entre o que o banco cobra para emprestar dinheiro e a remuneração que paga para quem aplica. Na prática, os bancos emprestam por um valor maior, pagam menos e lucram com isso. Esta diferença é estabelecida pela concorrência entre eles. Recentemente, a presidente Dilma pediu às instituições privadas que diminuíssem o spread. E providenciou esta diminuição nos dois bancos públicos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, para pressionar outros a fazerem o mesmo.
O professor Roy explica que o governo quer esta diminuição porque quem toma dinheiro emprestado ou aplica, tem o banco como intermediário. E se os juros cobrados são muito altos as pessoas consomem menos. 5. O que muda com a reforma da poupança?
Com a queda na Selic, investir na poupança poderia ficar mais atraente do que comprar títulos do governo. Como a intenção é evitar que as pessoas guardem dinheiro, as regras foram alteradas. Até o dia 04 de maio os depósitos rendiam cerca de 0,5% ao mês, mais a TR (taxa referencial). Criada durante o governo Collor para remunerar a poupança, a TR é uma média ponderada das taxas negociadas no mercado. Agora, o rendimento será de 70% da Selic sempre que ela valer 8,5%. Se for superior a esta porcentagem, vale a regra anterior.
Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/cinco-perguntas-economia-683882.shtml

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