Cúpula do Brics pede reforma no Bird e FMI

PRAKASH SINGH/AFP/JC

Líderes pedem mudanças para garantir o atendimento dos interesses das nações mais pobres

Na Declaração de Délhi, documento com 50 pontos formatado na 4ª Cúpula do Brics, o grupo de países emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul foi unânime em pedir reformas do Banco Mundial (Bird) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), além de uma alteração urgente no sistema das duas organizações, para garantir o atendimento dos interesses das nações mais pobres. Condicionaram ainda os novos aportes de recursos para as instituições ao aumento das cotas de participação dos emergentes.

O grupo, liderado pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff; presidente russo, Dimitry Medvedev; primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, presidente da China, Hu Jintao, e pelo sul-africano Jacob Zuma, solicita que as duas instituições revisem urgentemente seus sistemas de cotas para ajudar a salvaguardar os interesses de nações mais pobres, e criticou o Ocidente por implementar uma política monetária relaxada, que pode aumentar a instabilidade nas economias emergentes.

O pedido por mudanças nas cotas que representam o peso de voto dos países-membros é parte de um esforço por uma reforma mais ampla do sistema financeiro mundial com a finalidade de refletir o crescente peso econômico das nações emergentes. As discussões para ajustar o sistema de cotas deverão ser realizadas em 2014. Os EUA, principal doador para agências multilaterais, ainda não se posicionaram sobre as propostas de dar a economias em desenvolvimento direitos de votos maiores. “Nós reconhecemos a importância da arquitetura financeira mundial na manutenção da estabilidade e integridade do sistema monetário e financeiro global”, afirmaram os líderes. A proposta de criação de um banco de desenvolvimento para financiar projetos de infraestrutura nos países do Brics ficou apenas no terreno das intenções. No documento final, os cinco países criaram um grupo de trabalho para discutir a proposta, mas o desejo do presidente sul-africano, Jacob Zuma, de que o banco saísse do papel no ano que vem tem remota chance de acontecer. O novo banco não deve sair do papel antes de 2014. A ideia do que poderia ser chamado de “Banco do Brics” era oferecer financiamentos para os países do grupo, em alternativa ao Banco Mundial e FMI, para suprir a limitação atual de investimento.

Ao final da assinatura da declaração conjunta, os bancos de desenvolvimento de Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul assinaram um acordo com definição das regras gerais para a concessão de linhas de crédito em moeda local, com o objetivo de aumentar o comércio entre os Brics. Com isso, se a empresa de um país quiser investir em outro país do grupo, o seu banco de desenvolvimento repassa o valor do investimento para o banco de fomento local, que empresta o dinheiro para a empresa tocar seu negócio, facilitando a internacionalização dos investimentos.

O documento mostrou “preocupação com a situação econômica global” e alerta para a “instabilidade dos mercados, principalmente na zona do euro”. Também fala em preocupação com o clima de incerteza em relação ao crescimento mundial, provocado pelos fortes ajustes fiscais nos países mais ricos e pelo crescimento da dívida pública. Os países pregam a necessidade de vencer barreiras comerciais, pois estão sofrendo com redução do crescimento de suas economias nos últimos anos.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=90043&fonte=nw

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