Missões internacionais focam em novos mercados

Fernando Soares

As barreiras argentinas aos produtos brasileiros e a delicada situação financeira vivida pela Europa fazem com que o Rio Grande do Sul mire novos mercados internacionais. Através da realização de missões em países africanos, asiáticos e latino-americanos, o Estado procura firmar acordos de cooperação e expandir as exportações de seus produtos. África do Sul, Angola, Cuba e Moçambique são os primeiros focos dessa política que ganha corpo neste ano.

“Em 2011 trabalhamos fundamentalmente a atração de investimentos, agora a gente inaugura uma estratégia de promoção das nossas exportações”, resume Tarson Nuñes, assessor de Cooperação e Relações Internacionais do Gabinete do Governador. Em Cuba, as tratativas estão em estágio inicial. Na primeira missão governamental do ano, entre 12 e 14 de março, uma comitiva gaúcha formada por 16 representantes do executivo e 12 empresas visitou o país para verificar as demandas locais e, a partir daí, propor negócios. No Caribe, as máquinas agrícolas devem ser o principal cartão de visitas do Estado. Com o processo de reestruturação econômica conduzido na ilha atualmente, a agricultura familiar se tronou destaque. No entanto, as 160 mil famílias que recentemente ganharam terras para plantar não possuem a estrutura necessária para o trabalho no campo. Além disso, o objetivo é aumentar a venda de arroz, trigo e carne para a ilha, que hoje importa cerca de 80% dos seus alimentos.

A projeção é de que até novembro, quando será realizada nova ida à nação caribenha, os resultados da passagem anterior se materializem. “Não vamos esperar até a próxima viagem para concluir os negócios. A ideia é chegar lá e entregar tratores, equipamentos e alimentos”, diz Nuñes, que considera Cuba um mercado importante por ser um comprador em grande escala. Paralelamente, o Rio Grande do Sul planeja importar a tecnologia cubana para a produção de biofertilizantes e biopesticidas.

Provavelmente em julho, outro grupo gaúcho de políticos e empresários deve desembarcar na África do Sul para fechar negócios. No momento, os sul-africanos, somados a angolanos e moçambicanos, estão fechando uma lista de potenciais setores para parcerias. O mesmo processo está sendo conduzido no Estado. “A ideia é que a África do Sul seja a porta de entrada do Rio Grande do Sul no mercado africano e o Rio Grande do Sul seja uma porta de entrada para a África do Sul no mercado latino-americano”, explica Nuñes.

Na África, as máquinas agrícolas também devem ser um dos produtos mais solicitados, ao lado de alimentos e uma série de manufaturados. “A África é um mercado muito grande, que está gerando uma classe média e saindo da extrema pobreza. E a quantidade de coisas que o Estado produz está muito adequada para o mercado africano”, constata o assessor. Para 2013, Colômbia, Equador, Peru, Vietnã, Cingapura e China estão no roteiro de prováveis missões. Além das parcerias com países antes deixados em segundo plano, ações com mercados de países desenvolvidos também estão em pauta. Nesse sentido, em maio, o governador Tarso Genro deve liderar uma comitiva para Londres, na Inglaterra, buscando estreitar laços nas áreas de petróleo e gás e tecnologia.

Governo poderá fazer missão para China neste ano

Atento ao fluxo de investimentos chineses no Brasil, que lideram as aplicações produtivas, o governo estadual poderá fazer uma missão oficial para a China, que poderá incluir Hong Kong, em 2012. O último governador a fazer viagem oficial foi Germano Rigotto. O mês poderá ser outubro, que concentra feiras como a popular Canton Fair e a de eletroeletrônicos, na região autônoma. A comitiva deve incluir um grupo de empresários. O assessor para Cooperação e Relações Internacionais, Tarson Nuñes, confirma que a Secretaria de Agricultura deve realizar uma agenda para abrir mercado para carne suína.

A Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção ao Investimento (AGDI) já encomendou um estudo da ChinaInvest, presidida pelo gaúcho Thomaz Machado, que realizou 40 missões ao país e tem escritóriso na China e na Índia. O roteiro por Hong Kong terá apoio da InvestHK, garantiu a consultora Marina Barros. A intenção é levantar potenciais operações para firmar joint venture com brasileiros. A previsão é definir até maio se a viagem poderá ocorrer. “Bato sempre na tecla: as maiores oportunidades são no Brasil e o Estado precisa se posicionar.” Construção pesada está entre os focos dos chineses.

Outras missões na mira do governador Tarso devem passar pela Espanha e Inglaterra, em maio, para tratar de temas como petróleo e gás e sistema de participação e economia da criatividade, na área de TI.

FONTE: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=89272&fonte=nw

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s