Gramado foca na tradição para vender chocolates

Fábricas da Serra gaúcha mantêm linhas artesanais e trabalham em produtos diferenciados para garantir alta de até 14% neste ano

Rafael Vigna

DUE COMPANY/DIVULGAÇÃO/JC

Empresas querem evitar a concorrência massiva das grandes marcas que costumam dominar o mercado

As indústrias de chocolates de Gramado costumam adiar o início da produção de Páscoa para a segunda quinzena de janeiro, em função do Natal, ainda considerado a principal data em vendas para algumas marcas da região. Com o consumo per capita 2% superior à média nacional, que saltou de 0,2 kg em 2002 para 1,3kg no ano passado, as fábricas da Serra gaúcha apostam na tradição para manter as vendas em alta e garantir uma parcela do mercado dominado pela concorrência massiva das grandes marcas no período.

Um balanço da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) identifica crescimento de 5,4% na produção e no consumo de chocolates no País. Em 2010, foram fabricadas 190,9 mil toneladas, enquanto o consumo aparente pulou de 171,6 mil para 180,8 mil toneladas. De olho nesta evolução, as indústrias de Gramado vão ampliar o número de funcionários em cerca de 40%, para 1,2 mil pessoas. Ao todo devem ser 320 novos temporários contratados.

O sócio-diretor da Lugano, Francisco Terres da Luz, antecipa que a Páscoa só chega com força nas linhas de produção depois de superado o movimento do Natal. Com três lojas de fábrica na cidade, seis pontos de venda distribuídos em Porto Alegre, Florianópolis, Campinas e Rio de Janeiro e mais três franquias no Interior do Rio Grande do Sul, a Lugano trabalha em linhas artesanais há mais de 30 anos e espera aumentar a produção em 10% para atingir um incremento de 7% nas vendas de Páscoa em 2012. Serão mais 30 vagas temporárias e o objetivo é diferenciar os artigos para atender a demanda dos consumidores mais fiéis.

“Como a empresa trabalha um linha mais artesanal, a Páscoa é considerada um momento importante, sem dúvida, mas não é o único em que as vendas estouram. Temos o Natal e outras temporadas do ano em que os chocolates também frequentam as listas de presentes. Por isso, não trabalhamos a Páscoa de maneira excepcional. O objetivo é atender nossos clientes normais, nossas lojas e franquias”, revela.

Com expectativas mais otimistas, o proprietário da Florybal, Valdir Cardoso, planeja aumentar a produção e as vendas em 14%. Ele afirma que o período é o mais importante do ano. Para ele, é preciso evitar a concorrência com as grandes indústrias, pois a marca possui um público constante nas lojas franqueadas ao longo do ano. Segundo Cardoso, a ideia é não deixar o público cativo na mão e trabalhar alguns itens especiais para a ocasião. Assim, as barras, trufas, bombons e drágeas passam a dividir o espaço nas estantes das seis lojas da região com linhas de ovos e outros lançamentos direcionados ao público infantil.

Na Chocolates Do Parke não é diferente. A fábrica elabora uma linha de coelhos e barras totalmente direcionadas às crianças. De acordo com o diretor José Schneider, o carro-chefe para a temporada será uma maleta com figuras e chocolates. No entanto, os produtos tradicionais devem manter a sua parcela de participação e colaborar na ampliação de vendas, projetada em 7% neste ano. Em dezembro, a marca comemorou 25 anos de fundação e lançou um selo comemorativo para celebrar o título de maior produtora da Serra. Atualmente, a empresa trabalha com foco nos três estados da região Sul, onde possui 11 centros de distribuição.

Planta de beneficiamento de cacau no Sul dever ser concluída em 2014

Um investimento de R$ 9 milhões na nova planta da Chocolates Do Parke estabelece um novo horizonte para as indústrias de região. A fábrica, em fase de construção em uma área de 9 mil metros quadrados, no bairro Várzea Grande, em Gramado, possibilitará que toda a produção seja concentrada na Serra gaúcha, eliminando custos de operação logística na compra de insumos como manteiga, massa e pó de cacau.

O beneficiamento do fruto feito na região Sul ainda traz ganhos à qualidade dos produtos. É o que explica o sócio-diretor da Lugano, Francisco Terres da Luz. Ele diz não perceber prejuízos com a concorrência, mas sim os novos benefícios e explica que as unidades produzem os próprios chocolates, entretanto, consomem insumos das mesmas empresas de beneficiamento, localizadas nas regiões Norte e Nordeste do País.

“Se a Do Parke começar a beneficiar a amêndoa em Gramado, será um grande incentivo. Eles serão o nosso estoque regulador e não haverá problemas com frete e custos de logística. Existe a previsão de que neste momento passaremos a consumir o cacau beneficiado da Do Parke. Atualmente, todos nós recorremos aos produtos das mesmas empresas, que compram o cacau e produzem a massa, a manteiga e o pó. Com a possibilidade de concentrar a produção em Gramado, não há motivos para não sairmos ganhando”, defende.

O sócio-diretor diz acompanhar de perto e com boas expectativas o projeto da Do Parke. Segundo ele, a ideia é fechar acordos com fazendas de cacau, na Bahia ou no Amazonas, para realizar a escolha do fruto e acrescentar qualidade ao produto final. “Será possível trabalharmos com a rastreabilidade e a origem deste cacau nas embalagens. Isso é importante para a qualificação dos produtos artesanais, na medida em que se pode explorar a procedência da matéria-prima utilizada. Esta é a nossa intenção. Teremos o nosso próprio cacau especial e acredito que isso vai incrementar a produção da Serra como um todo”, destaca.

Atualmente, o Brasil é o sexto maior produtor de cacau e o quarto maior consumidor do mundo. Nos últimos cinco anos, o cultivo da principal matéria-prima dos chocolates registrou aumento de 15%, fechando o ano passado em 233,348 milhões de toneladas. “Não precisaremos mais comprar a pasta de cacau e o pó de chocolate. Assim o nosso ganho será em qualidade”, confirma José Schneider, diretor da Do Parke.

Schneider, que presidiu a Associação dos Chocolateiros de Gramado (Achoco), ao longo da última gestão, identifica uma evolução do setor a partir de 2004, quando o consumo per capita no município começou a superar a média nacional. Agora, segundo ele, o momento é de centralizar os procedimentos de industrialização.

“O fato de começar o processo pela escolha da amêndoa e do cacau é algo novo no Estado e na região Sul. Por isso, a nossa expectativa é muito positiva. Não buscamos uma redução de custos de produção ou de logística, mas sim um aumento significativo na qualidade de nossos produtos”, assegura. Segundo ele, a previsão é de que a primeira fábrica de beneficiamento da região Sul seja concluída em 2014. No entanto, investimentos em maquinário estão a todo vapor na Do Parke, e o atual momento já projeta crescimento de 25% na produção em 2012.

FONTE: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=87422&fonte=nw

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