Turra pede a Doux que salve operação brasileira

Patrícia Comunello

O presidente-executivo da Associação Brasileira de Avicultura (Ubabef), o gaúcho Francisco Turra, fez um apelo direto aos donos do grupo francês Doux para que salvem a operação brasileira. Turra encontrou o presidente da companhia, Charles Doux, há pouco mais de uma semana em um voo de carreira entre São Paulo e Porto Alegre, e pediu para que o empresário se esforçasse para achar uma solução. “Mesmo que tivesse de vender para manter empregos e quitar dívida com integrados”, reproduziu o dirigente do setor industrial de frangos.
Segundo Turra, Doux teria confirmado que sua vinda ao Brasil serviria para resolver a situação de crise da operação da Doux Frangosul.

Turra lembrou de outros encontros com o dono da companhia, ocorridos em feiras na Europa, já quando o quadro estava ficando complicado, principalmente pelos atrasos na quitação dos 2,2 mil integrados de frangos e suínos. “Ou pegam um sócio para salvar a empresa ou vendem para transferir e reaquecer o negócio”, opina o dirigente da Ubabef. Entre as possibilidades admitidas pelos proprietários, estaria a injeção de recursos por investidores estrangeiros. Enquanto o presidente do grupo não sinaliza uma saída, a produção da empresa sofreu ontem novo golpe. Agora as linhas de embutidos e empanados do complexo de Montenegro, o maior da marca no País, pararam. Com menos produção, surge outro temor: perda de espaço nos mercados onde atua.

Os cerca de 300 empregados dos setores ficarão em férias até dia 27. Em 23 de janeiro, um dos três turnos de abates de frangos foi suspenso, reduzindo em um terço (ou 150 mil aves) a capacidade diária, que era de 450 mil frangos. A medida atingiu 330 funcionários, que retornarão ao trabalho no começo de março, quando outro turno entrará em férias.

Segundo o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da região, João Marcelinfo da Rosa, o tom de preocupação sobre o futuro da empresa se elevou. Os salários estão sendo pagos em dia, mas os interlocutores da Doux Frangosul alegam que as dificuldades estão ligadas ao corte de crédito pelos bancos. “A gente até evita falar ou cuida o que vai dizer para tentar ser positivo. Afinal, toda a cadeia da empresa soma mais de 50 mil empregos diretos e indiretos nos mercados onde atua”, pondera o sindicalista.

A base de Montenegro é a mais importante da operação da agroindústria, concentrando metade dos integrados de suínos e aves, segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais da região, ligado à federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS). “Se a empresa não paga os produtores, não tem matéria-prima para movimentar o frigorífico”, justifica o presidente do sindicato ligado aos integrados, Romeu Krug. Os atrasos se mantêm em cinco meses ou mais, com pagamento de valores muito baixos. Krug admite que a entidade analisa uma ação coletiva para cobrar as pendências. Treze produtores de suínos já conseguiram na Justiça do município liminar para assegurar que matrizes em poder das granjas (mais de 60% do plantel de produtores) sejam garantidas em pagamento de débitos superior a R$ 2 milhões. Se não houver acordo com a empresa, os advogados devem acionar outras ações para executar o passivo.

A dificuldade com bancos foi admitida por Charles Doux a Turra. “Ele lamentou que tenha cessado a negociação com bancos”, comentou o presidente-executivo da associação, que já foi ministro da Agricultura no governo de FHC. “Estamos todos na torcida para que a empresa volte a ser forte. Ela já foi grife no mundo e uma bandeira para abrir mercados lá fora para os produtos brasileiros”, recordou Turra. Nos últimos anos, as dificuldades abateram a fatia nas exportações. Em 2008, a Doux Frangosul representou 9,7% do volume exportado, que somou 350 mil toneladas.

O Ministério Público Estadual (MP-RS) já recebeu relatório de informações prometido pela empresa. O diretor-presidente da Doux Frangosul, Aristides Vogt, confirmou ontem que havia repassado documento e que aguarda novo encontro com os procuradores. Ele evitou comentar a situação da empresa e se Charles Doux ainda estava no Brasil. Segundo a assessoria de Imprensa do MP-RS, os dados serão analisados e ainda esta semana a chefia do órgão deve se manifestar. O MP-RS tenta intermediar a busca de soluções.

FONTE: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=86498

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