O mundo não é plano, diz professor indiano

Globalização

O mundo não é plano, diz professor indiano

Thomas Friedman vendeu 4 milhões de cópias de um livro em que descrevia a nova cara da globalização — para um professor indiano, isso não passa de “globaboseira”

Tiago Lethbridge, da EXAME

São Paulo – Poucos debates são tão cercados de clichês e frases feitas quanto a discussão em torno das causas e dos efeitos da globalização — aliás, dizer que o mundo está “cada vez mais globalizado” é repetir um dos maiores lugares-comuns das últimas décadas.

O que é a tal globalização? Para uns, o fenômeno começou quando Vasco da Gama zarpou de Belém rumo às Índias. Para outros — o exemplo mais famoso é o jornalista americano Thomas Friedman —, o mundo é plano.

Ou seja, vivemos uma nova era em que barreiras nacionais foram destruídas pela revolução tecnológica. Há também os pessimistas, que enxergam na globalização um grande acordo entre multinacionais (sobretudo americanas) para dominar o planeta (sobretudo os países pobres).

De acordo com a Biblioteca do Congresso americano, mais de 1 000 artigos ou estudos acadêmicos sobre esse tema são publicados a cada ano no mundo inteiro. Mas a pergunta é: essas opiniões todas fazem sentido? O economista indiano Pankaj Ghemawat acha que não. Para ele, tudo não passa do que chama de “globaboseira”.

Professor da escola de negócios Iese, de Barcelona, Ghemawat se dedica ao assunto há mais de uma década. Em seu mais novo livro, World 3.0, o economista se lança na audaciosa tarefa de desmentir todos aqueles que consideram a globalização um fato consumado. Para ele, existe, no máximo, um mundo “semiglobalizado”.

Como, pergunta ele, pode haver globalização se 90% dos habitantes da Terra jamais deixaram o país em que nasceram, apenas 2% das ligações telefônicas são internacionais, 95% das pessoas se informam pela mídia de seu país, 1% das cartas enviadas mundo afora cruzam fronteiras e menos de 1% das empresas americanas têm operações fora do país?

Como se estivesse no programa de TV Os Caçadores de Mitos, Ghemawat se dedica, por mais da metade do livro, a destruir esmiuçadamente as teses mais populares acerca da globalização.

A vítima que ataca com prazer mais evidente é o jornalista americano Thomas Friedman, autor do best-seller O Mundo é Plano, que vendeu mais de 4 milhões de exemplares. Ghemawat não chega a chamar Friedman de picareta, mas passa perto.

“Você tem o direito de ter a sua própria opinião, mas não o direito de ter seus próprios fatos”, escreve. Após ler uma resenha pouco elogiosa de seu best-seller escrita por Ghemawat, Friedman escreveu uma carta reclamando que o indiano usava dados pouco precisos. “Pelo menos eu usei dados!”, devolveu ele.

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