Indústria de alimentos brasileira aumenta participação no exterior

Empresas se mobilizam para enfrentar as barreiras comerciais existentes e conquistar os consumidores globais

Leandro Brixius, de Colônia, Alemanha

LEANDRO BRIXIUS/ESPECIAL/JC

Considerada vitrine mundial do setor, a Feira Anuga recebeu a presença de 160 marcas brasileiras
Considerada vitrine mundial do setor, a Feira Anuga recebeu a presença de 160 marcas brasileiras

Em um mercado cada vez mais global e competitivo, o Brasil tem intensificado seus esforços para ampliar sua presença e conquistar mais espaços. Embaladas pela boa imagem do País no mundo, as empresas e entidades brasileiras investiram forte em sua exibição na Feira Anuga 2011, considerada vitrine mundial da indústria de alimentos. Em seis pavilhões, 160 marcas do País ocupam 3.540 metros quadrados em estandes coletivos organizados pela Agência Brasileira de Promoção da Exportação e do Investimento (Apex-Brasil), na maior participação já realizada na cidade de Colônia, na Alemanha. Além dessas, outras grandes companhias, especialmente da área de carnes, como BRF e JBS, ocupam amplos espaços.

“O mundo olha o Brasil com olhos muito abertos porque identifica o grande produtor de alimentos mundial e não vamos abrir mão da responsabilidade de alimentar o mundo”, define o presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, presente na Anuga. O setor de aves busca consolidar ainda mais sua liderança global. Hoje o Brasil é o maior exportador, com 42% do mercado mundial com um volume próximo a 4 milhões de toneladas, em constante crescimento quantitativo e principalmente financeiro. As estimativas são de que a receita cresça 20% no ano, contra até 3% nas vendas.

Mas para se manter nesse patamar, os investimentos são grandes e as lutas a enfrentar são ainda maiores. Além dos subsídios garantidos pelos países europeus a seus produtores e barreiras sanitárias, há aspectos ambientais e de bem-estar animal que são colocados no debate. A Ubabef tem investido na informação, procurando provar ao consumidor europeu que suas granjas emitem 9% menos CO2 do que as francesas e inglesas, além de sua concentração de animais por metro quadrado ser menor – 35 galinhas no Brasil e 39 na Europa.

A crise econômica que aflige os europeus e reduz o poder de compra e, consequentemente, os negócios, é tratada como uma aliada para conquistar os consumidores do continente que melhor paga pelos produtos. A ideia é mostrar que o Brasil produz por um preço menor, já que as famílias europeias pagam € 4 bilhões por ano em função dos subsídios concedidos aos seus agricultores.

Outro gaúcho que lidera a luta por maior espaço de produtos made in Brazil é Antonio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). “A Europa blinda o Brasil e tem tido sucesso até agora com barreiras comerciais travestidas de sanitárias”, define. A Abiec está finalizando os detalhes de um painel que irá solicitar na Organização Mundial do Comércio (OMC). O primeiro ponto a ser questionado refere-se a não observância de um acordo de compensação relativo à cota Hilton. O outro é  a limitação de um número de propriedades aptas a exportar para a União Europeia.

A batalha pelo mercado europeu se justifica, segundo o dirigente, por ser a única alternativa para cortes nobres, que melhor remuneram os produtores. Para os produtores gaúchos, é o consumidor interessado em carnes com maior teor de gordura, característica do gado de origem europeia criado no Estado. Para usar essa vantagem, ele alerta que ainda falta padronização no gado levado ao abate.

Missão gaúcha prospecta negócios e atrai interesse de importadores

O vinho branco produzido a partir de uvas da variedade Gros-manseng em Caxias do Sul deve chegar a Singapura em 2012. Essa é a expectativa do diretor técnico da Vinícola Ferdinando Zattera, Ruy Vogt, a partir dos contatos realizados por importadores do país. A bebida foi desenvolvida com foco neste mercado, no qual há grande consumo de alimentos agridoces. A primeira produção deste vinho chega ao varejo gaúcho em dezembro. A meta é produzir 10 mil garrafas por ano. Além disso, o vinho tinto merlot da vinícola deve chegar à Polônia. “Esses mercados buscam produtos diferenciados e por isso investimos em rotulagem e design”, diz Vogt, que tem o apoio do Sebrae/RS para participar da Feira Anuga 2011.

As cachaças gaúchas também fazem sucesso na Alemanha. As cachaçarias Weber Haus e Casa Bucco passam o dia oferecendo a bebida para degustação e, principalmente, destacando seu produto para os compradores que percorrem a feira em busca de novidades. Para vencer, os concorrentes investem na parceria e trocam informações. Enquanto Moacir Menegotto, da Casa Bucco, é mais hábil no inglês, Evandro Weber, da Weber Haus, é fluente em alemão e um socorre o outro nas negociações, que já resultaram em contratos fechados. Além do Sebrae/RS, eles contam com o apoio da Secretaria Estadual do Desenvolvimento e Promoção do Investimento e da Apex-Brasil.

Para enfrentar o mercado externo, MPEs como a Vinícola Ferdinando Zattera, Weber Haus ou Casa Bucco contam com o suporte do Sebrae/RS em sua preparação. “Antes da viagem é preciso realizar todo um planejamento e focar exatamente nas possibilidades de negócios, consciente das peculiaridades de produtos que a Europa quer, já que aqui tem de tudo e o que buscam é a inovação”, diz o diretor administrativo e financeiro do Sebrae/RS, Marcelo de Oliveira Ribas. O importante é vencer as barreiras e é o que Vogt pretende fazer, planejando retornar dentro de dois anos à Anuga não só como visitante, mas como expositor.

FONTE: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=75336&fonte=capa

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