ARTIGO: Como entender Mário Fernandes?

Olá,

Como entender Mário Fernandes?

Ao ler uma reportagem hoje, com esse  título,  comecei a refletir… Veja o trecho inicial  ”  Crianças sonham com a camisa canarinho. Jogadores profissionais investem sua carreira para chegar à seleção brasileira. Mas, para Mário Fernandes, essa questão – aliada a um ambiente estranho ao que está acostumado, no qual não se sentiu à vontade na semana passada; uma possível crise de ansiedade e uma certa inconsequência de seus 21 anos – pode lhe fechar portas profissionais. Entre ser coadjuvante entre os convocados por Mano Menezes e permanecer como um dos destaques do Grêmio, onde está há mais de dois anos, sua opção foi pela segunda – mesmo que essa casa também já tenha lhe parecido estranha em 2009, no episódio de sua fuga” (Jornal NH, 27/09/2011).

Esta reportagem trata da decisão deste jogador, de dizer NÃO à convocação de Mano Menezes para fazer parte da seleção de futebol brasileira, ele, ao invés disso, preferiu continuar sendo titular no Grêmio. Apesar de jovem, vejo como corajosa esta decisão. Foram comentários, charges divertidas (como esta abaixo do cartunista Tacho), discursadas nas mais diversas mídias. Pois há uma severa e nem tão velada indignação pública pelo fato do esportista negar algo que seria inegável para sua profissão.

 

Quais são os valores éticos que a sociedade globalizada nos impõe atualmente? Temos que aceitar trabalhar em algo que não gostamos, porque precisamos do dinheiro. Temos que bajular um chefe incompetente para sermos promovidos. Temos que assistir a novela porque não há nada melhor na TV. Temos que aceitar brincadeiras que não concordamos, para sermos sociáveis.

Temos, temos, temos. Mas não temos de fato , nada que nos agrade?

Em nenhum aspecto quero fazer críticas à seleção, ao treinador ou a quem quer que seja.  Mas há uma dúvida que não consegui ver resposta e isso sim, me inquieta: quem determina o que queremos ou não em nossas vidas somos nós mesmos? Se sou responsável pela minha vida, cada decisão é uma escolha, seja ela qual for. Dizer não à seleção brasileira, por motivos que ainda não ficaram claros segundo a mídia,  fez com que o próprio Mano Menezes fosse surpreendido, pois era até então, óbvio que o sonho de todo o jogador é estar na seleção. Será? Dinheiro, fama, corte de cabelo estranho, carro, balada, maria-chuteiras, filhos, campanha de cerveja… tudo isso são valores iguais para todos?

Não sei responder. Também desconheço se esse  foi o caso deste jogador. Mas o que chama a atenção é uma prova que podemos ter algum tipo de atitude e valorar situações que a cada um lhe pareça mais adequada, não importa o motivo. Acho que esta é a sabedoria da vida, poder escolher, determinar, querer ou não.

Ou seja, se aceitamos trabalhar em algo que não gostamos, porque precisamos do dinheiro e PORQUE QUEREMOS. Se bajulamos um chefe incompetente para sermos promovidos é PORQUE NOS ESPELHAMOS NELE.  Se vamos assistir a novela porque não há nada melhor na TV É PORQUE GOSTAMOS.  Temos que aceitar brincadeiras que não concordamos, para sermos sociáveis, É PORQUE SOMOS INSEGUROS.

E isso é errado? Obviamente que não. Desde que não digamos mentiras a nós mesmos e assumamos uma posição.  Este me parece ser o grande problema humano hoje, “as pessoas não querem tomar partido da situação e preferem ficar em cima dos muros”, por mais baixos que sejam. Jesus Cristo já dizia que somos o sal da terra e como tal, temos gosto, temos sabor. Viver uma vida sem atitude é tirar o sabor que poderíamos ter de ser alguém especial, ou pelos menos, tentar viver dessa forma.

Assumir a posição que queremos, deixarmos claras as regras do jogo, são fatores que podem nos ajudar para que todas as noites possamos deitar em nossas camas, e adormecer sabendo que nossa consciência está tranquila com o que queremos e desejamos, mesmo que ainda não tenhamos atingido nosso objetivo. Ou que pelo menos, estamos tentando viver nesta forma, conscientes do que existe de cada lado dos muros, e permanecer do lado de um deles. Mudar de lado? Lógico que podemos. Mudar a opinião é uma forma inteligente de demonstrar aprendizado, mas desde que sejamos nós mesmos.

A atitude do jogador pode mudar daqui há algum tempo, mas acho que esta decisão atual já valeu muito.

Até então, eu nunca havia prestado atenção na atuação desse jovem jogador,  mesmo sendo gremista. Mas já simpatizo muito com a forma como ele conduz seu jogo pessoal . E para responder a reportagem título, digo: eu te entendo Mário Fernandes…

Abraço, André Viana

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: