País suspende compra de gado e carne do Paraguai

Medida busca proteger o mercado interno do foco de febre aftosa

Depois de anunciar ações como aumento do contingente de fiscais federais e estaduais na região de fronteira e colocação de barreiras volantes na região para promover fiscalizações do trânsito de animais e produtos, o ministério determinou a suspensão temporária da importação de animais vivos e produtos in natura provenientes do Paraguai. A medida afeta principalmente as compras de carne bovina e suína, os dois tipos que o Brasil mais importa do Paraguai. Apenas de carne bovina, o Brasil adquiriu 6,7 mil toneladas em 2010, em um valor que soma US$ 34,6 milhões. Até julho deste ano, 5,5 mil toneladas de carne bovina foram importadas do país vizinho, totalizando US$ 29,1 milhões.

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, afirmou ontem que a situação no Brasil está tranquila em relação ao foco de febre aftosa registrado no departamento de San Pedro, no Paraguai, a 130 quilômetros da fronteira brasileira, e que a fiscalização está sendo intensificada na região. O secretário-executivo da pasta, José Carlos Vaz, disse que as medidas adotadas até o momento são suficientes para impedir a entrada do vírus no território nacional. “Estamos em alerta, com apoio dos governos estaduais e das Forças Armadas. Estamos monitorando e, se necessário, iremos reforçar as medidas”, disse.

No Rio Grande do Sul, medidas foram anunciadas para preservar o status sanitário do Rio Grande do Sul. As ações serão desenvolvidas nas regionais de Ijuí, Santa Rosa e São Luiz Gonzaga, em uma área que vai de Garruchos a Barra do Guarita. Pelo menos seis equipes volantes serão montadas para incrementar as ações de vigilância, com visitas a propriedades, montagens de barreiras e inspeção de rebanhos.

Também serão destacados cerca de 15 funcionários da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio para reformas das equipes das Inspetorias Veterinárias que atuam nas regiões que passam a ser monitorados, que também devem ampliar as ações de vigilância sanitária. A ocorrência da febre aftosa no Paraguai foi um dos assuntos discutidos na mesa-redonda promovida pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, no auditório do Ministério da Agricultura. No encontro, que contou com a participação de parlamentares e lideranças do agronegócio do Rio Grande do Sul, foi abordada a manutenção no Estado do laboratório federal que realiza testes sorológicos de controle de qualidade da vacina antiaftosa.

Segundo o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o ministro Mendes Ribeiro garantiu durante o encontro que o laboratório continuará no Rio Grande do Sul e que receberá mais investimentos em pessoal e equipamentos. Ele explicou que havia interesse das indústrias de vacinas de transferir parte das atividades do laboratório para outros estados, por causa de problemas logísticos. A solução encontrada foi a utilização de uma área do Exército próxima a Porto Alegre, onde serão confinados os animais para coleta do soro.

Livre sem vacinação, Santa Catarina decreta emergência sanitária

O governo de Santa Catarina decretou ontem situação de emergência sanitária no estado por causa da descoberta do foco de febre aftosa no Paraguai. Pela manhã, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, reuniu-se com o secretário da Agricultura e da Pesca, João Rodrigues, e autoridades do setor para definir um plano de ação para impedir a entrada da doença no estado.

Ficou acertado que a Superintendência Federal de Agricultura do Ministério da Agricultura disponibilizará 40 veículos para reforçar a vigilância das barreiras sanitárias fixas e volantes, principalmente as localizadas na fronteira com a Argentina e na divisa com o Paraná. “Devemos agir como se a ameaça estivesse ao nosso lado para preservarmos o trabalho de mais de 20 anos da agricultura catarinense”, disse o governador.

Em 2007, Santa Catarina obteve a certificação internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como estado livre de febre aftosa sem vacinação. É o único do Brasil a conquistar este status.

Segundo a assessoria da Secretaria da Agricultura, o Departamento de Fiscalização e Defesa Sanitária está reforçando a fiscalização sobre o trânsito de animais e de produtos e subprodutos de origem animal em toda a área de fronteira de Mato Grosso do Sul. Para essa região, onde estão instalados seis postos de fiscalização, a Secretaria da Agricultura está deslocando técnicos para reforçar as unidades de vigilância sanitária.

No posto de fiscalização de Foz do Iguaçu, por onde passa grande quantidade de carga proveniente do Paraguai e da Argentina, o Ministério da Agricultura reforçou a atenção.

Por precaução, Paraná também amplia vigilância

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná uniu-se ao Ministério da Agricultura no trabalho preventivo tanto na fronteira com o Paraguai quanto em barreiras interestaduais para evitar que o vírus da febre aftosa chegue ao território paranaense, onde a doença não é verificada desde 2005. Na segunda-feira, um caminhão com 24 mil quilos de carne bovina resfriada e embalada a vácuo, que tinha saído de Assunção, foi obrigado a retornar ao Paraguai. Ele estava parado no porto seco, em Foz do Iguaçu, desde sábado passado.

De acordo com o diretor do Departamento de Fiscalização e Defesa Sanitária do Paraná, Marco Antonio Teixeira Pinto, algumas medidas preventivas devem ser tomadas, apesar de o foco da aftosa detectada no Paraguai estar a 240 quilômetros da fronteira com Guaíra. “A situação é preocupante, mas tranquila”, ponderou.

A secretaria também deve reforçar o rastreamento onde estão animais vindos de outros estados, principalmente de Mato Grosso do Sul, com investigação clínica para identificar possível sintoma aparente da doença. A secretaria está alertando os produtores paranaenses para que não pratiquem o comércio clandestino de animais e denunciem caso tenham conhecimento de qualquer trânsito irregular. “O serviço público e os criadores precisam redobrar a vigilância”, acentuou o diretor.

O Paraná é considerado área livre de aftosa com vacinação. Oliveira Pinto destacou que o governo do estado prepara uma mensagem a ser enviada à Assembleia Legislativa criando a Agência de Defesa Pecuária, o que permitiria um aumento no número de servidores destinados exclusivamente para essa vigilância. “É um passo gigantesco para pleitear a suspensão da vacinação”, ressaltou.

FONTE: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=73518&fonte=nw

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