Dólar sobe e obriga brasileiros que viajaram ao exterior a refazer as contas

O dólar fechou nesta terça-feira (20) a R$ 1,789, a maior cotação desde julho do ano passado.

Os brasileiros que viajaram recentemente para o exterior – e os que planejam fazer isso em breve – estão preocupados com o dólar. Só neste mês, a cotação da moeda americana subiu 12,3%.

Quando a família saiu de férias para os Estados Unidos, há três semanas, o dólar parecia um sonho. “Eu acho que estava R$ 1,60″, diz uma mulher.

No dia 31 de agosto quando a família foi comprar roupas e brinquedos para o Felipe, o dólar custava R$ 1,59. “E agora? Já sabem das notícias?”, pergunta o repórter.

“Deve estar R$ 1,70”, arrisca.

O dólar fechou hoje a R$ 1,789, a maior cotação desde julho do ano passado. Uma goleada no time de futebol amador que chegou de Buenos Aires jurando invencibilidade.

“Nós viemos de uma competição, contentes por ter sido campeões lá na Argentina. E o campeão aqui foi o dólar. Quebrou a gente”, lamenta o professor de educação física Gilmar Martins.

“Eu passei tudo no cartão, então eu sei que se o dólar continuar nessa subida eu vou pagar muito mais caro do que eu poderia ter pago. Agora só tem que aguardar”, diz a gerente de marketing Lélia Carvalho.

O dólar alto que surpreende os turistas também chega de longe. É resultado de preocupações com a Europa – principalmente porque a Itália e Grécia têm sérias dificuldades para pagar suas dívidas.

O problema não é só dos gregos, nem só dos italianos. A crise financeira da Europa provoca no mundo inteiro uma grande procura pelo dólar. E aqui no Brasil, esse movimento internacional se juntou a um corte recente nos juros, impondo à nossa moeda nas últimas semanas uma das maiores desvalorizações do mundo.

Entre as principais moedas, este mês, o real só não caiu mais do que o franco suíço. O Banco Central sinaliza novos cortes de juros. Juros mais baixos tornam o Brasil menos atraente pro investidor estrangeiro. E o real se deprecia

Assim, produtos importados tendem a ficar mais caros. Aqueles que são fabricados aqui, mas dependem de peças importadas, como por exemplo os celulares, também devem subir de preço.

E segundo o economista Fabio Silveira, a inflação pode aparecer até em itens que o Brasil exporta – como açúcar, café e soja. Por serem cotados em mercados internacionais, eles têm os preços aqui diretamente associados ao dólar.

“Se o dólar sobe, ou seja, se o real se desvaloriza nós temos que pagar mais reais por aquele bem cotado em dólar. A taxa de câmbio não é um ente paranormal, não. Ela entra no nosso dia a dia em cada operação que a gente faz”, aponta o economista Fabio Silveira.

O IPCA-15, uma prévia da inflação oficial, teve a maior dos últimos oito anos.
E na fila de embarque quem se acostumou com o dólar barato e vinha até ganhando fama mundial de gastador, embarca agora com uma nova missão.

“Gastar pouco, né? Tentar pelo menos”, diz uma mulher antes de embarcar.

FONTE: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/09/dolar-sobe-e-obriga-brasileiros-que-viajaram-ao-exterior-refazer-contas.html

 

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