Obras da Copa 2014 estão atrasadas: Segundo balanço apresentado ontem pelo governo federal, de um total de 51 projetos, 42 ainda não estão sendo executados

RICARDO GIUSTI/PMPA/JC

Fortunati vistoriou ontem execução na zona Norte de Porto Alegre
Fortunati vistoriou ontem execução na zona Norte de Porto Alegre

A maioria das obras para a Copa do Mundo de 2014 ainda não começou. Segundo balanço apresentado ontem pelo governo federal, de um total de 51 projetos, 42 ainda não estão sendo executados. Em apenas oito dos 13 aeroportos localizados em cidades-sede as obras estão em andamento. Somente em cinco cidades-sede, entre as quais Porto Alegre, já começaram obras de mobilidade urbana, essenciais para o sucesso do evento e também para atender à população.

Em todos os estádios escolhidos para os jogos as obras já começaram, mas só nove ficarão prontos para a Copa das Confederações em 2013. E das sete obras de infraestrutura turística programadas em portos nenhuma se iniciou até o momento. Ontem cinco ministros envolvidos nas obras ou ações relacionadas à Copa apresentaram um balanço do que já foi realizado e das ações futuras, marcando os mil dias que faltam para o evento.
Esses atrasos têm deixado o governo em “estado de alerta”, disse o ministro do Esporte, Orlando Silva. “Mobilidade é um assunto de relevância pelos legados que serão deixados. É um assunto que nos deixa em estado de alerta, no qual é muito importante o papel das cidades”, afirmou.

Porto Alegre é a cidade que apresenta o maior número de projetos na área de transportes. Dos dez, estão em andamento apenas as obras da avenida Severo Dullius. A nova via vai agilizar o trânsito na zona Norte, sendo também um anel viário para acesso ao Aeroporto Internacional Salgado Filho. O trecho inicial, com extensão prevista de 1,1 km, refere-se à duplicação e à extensão da rua Dona Alzira, que ligará a avenida Sertório à futura extensão da Severo Dullius. Também será construída mais uma pista até a rua Sergio Jungblut Dieterich. Essa primeira etapa está sendo realizada em parceria com o Walmart como contrapartida a empreendimentos realizada pela empresa na Capital. A previsão de finalização é maio de 2012.

A segunda etapa, com extensão de 2,1 km, será construída com financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF), dentro da Matriz de Responsabilidades. Com financiamento de R$ 24,6 milhões com mais R$ 2,4 milhões para desapropriações (recursos da prefeitura). O trecho que contempla a ampliação da Severo Dullius será feito da avenida Dique até a rua Dona Alzira, abrindo acesso às avenidas Sertório, Assis Brasil e Baltazar de Oliveira Garcia e deve ficar pronto em 2013.

São Paulo, apesar de ter a maior previsão de orçamento para a área de mobilidade urbana (R$ 2,86 bilhões), ainda não iniciou suas obras. Segundo o documento, a única obra prevista é a Linha 17 do monotrilho. A obra já está contratada e a licença de instalação deverá ser obtida em outubro de 2011, para que seja iniciada em janeiro de 2012 e concluída em maio de 2014. Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal e Salvador também não iniciaram suas obras. Em Recife, Cuiabá, Belo Horizonte e Rio de Janeiro os projetos estão em execução. Ao todo, serão investidos R$ 12,1 bilhões nas cidades-sede.

Prefeitura decide fatiar processos para agilizar contratações

Patrícia Comunello

A prefeitura de Porto Alegre decidiu fatiar a contratação das principais obras de mobilidade urbana para acelerar a execução do pacote que somará mais de R$ 500 milhões em investimentos. Os projetos de duas delas – o chamado complexo da Tronco, na região da Vila Cruzeiro e o mais demorado e difícil do conjunto, e a duplicação da avenida Voluntários da Pátria – serão entregues amanhã à Caixa Econômica Federal prevendo duas fases para licitação. Serão dois lotes da Tronco, o 3 e o 4, e o traçado da Voluntários entre a Estação Rodoviária e a rua Ramiro Barcellos. Outras duas obras e um corredor de ônibus também comporão o arsenal de projetos.
O secretário municipal de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Urbano Schmitt, explica que a solução busca garantir a conclusão da licitação de um trecho de cada projeto – são oito somente na área viária, até dezembro. “Não podemos fazer toda a obra ao mesmo tempo devido ao impacto para o tráfego”, alegou. Do pacote de mobilidade, apenas a duplicação da avenida Severo Dullius, nas proximidades do Aeroporto Internacional Salgado Filho, teve parte iniciada porque a prefeitura já está injetando a contrapartida financeira da obra. O prefeito José Fortunati conferiu ontem a execução.

Da Tronco, serão realizados em dois lotes com extensão de 3,1 quilômetros, situados entre a avenida Icaraí e a rua Gastão Mazeron. O total da obra será de 5,3 quilômetros. “Até o final do ano lançaremos os outros dois trechos. A primeira etapa abrange região que não tem moradias no traçado”, detalhou. Já a remoção de 1,3 mil famílias que ocupam os leitos da extensão viária depende agora da construção de residências pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Dezoito áreas foram desapropriadas e a prefeitura está fazendo chamamento para empresas interessadas em erguer conjuntos com 740 unidades. O complexo da Tronco deve ser executado até final de 2013.

Fortunati, que faz questão de depositar pessoalmente os volumes com detalhamento técnico na Caixa, apresentará também para a análise da instituição os projetos da segunda parte da duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva (acesso ao Beira-Rio), do viaduto da Estação Rodoviária e do corredor de ônibus rápido da Bento Gonçalves. Só com o sinal verde o município pode disparar os editais para a seleção das empresas.

A obra entre a avenida Padre Cacique e a Edvaldo é de R$ 82,3 milhões, já a dos dois trechos da Tronco deve envolver R$ 76 milhões e o viaduto da rodoviária, R$ 21 milhões. O município aguarda a decisão do governo federal sobre o metrô para a Capital para definir o projeto do BRT da Assis Brasil. O banco já está avaliando e solicitando os últimos documentos dos projetos da trincheira na rua Anita Garibaldi, no cruzamento com a Terceira Perimetral e do sistema de monitoramento do trânsito e dos corredores de ônibus.

Schmitt descartou que o ritmo de execução das obras esteja lento e apontou que, além da Severo Dullius, já estava em andamento um dos trechos da duplicação da Edvaldo Pereira Paiva, que terá nova concorrência para construção de uma ponte já que o primeiro edital não teve interessado, e melhorias em saneamento e no Pronto Socorro.

Governo cede às pressões e flexibiliza regras

O governo federal resolveu ceder às pressões dos estados e municípios e não vai excluir da lista de prioridades da Copa do Mundo de 2014 as obras de mobilidade urbana que não forem licitadas até dezembro deste ano. Antes, o governo dizia que, se esse prazo não fosse cumprido, o empreendimento seria excluído da chamada matriz de responsabilidades. Se não houvesse a mudança, muitos dos empreendimentos poderiam ser excluídos da lista de prioridades, colocando em risco um dos principais legados do Mundial.

Ontem o ministro do Esporte, Orlando Silva, admitiu que esse prazo pode ser ultrapassado, desde que a obra fique pronta até dezembro de 2013. “Não é razoável retirar uma obra, se a licitação passar de 2011, e ela for feita em até 12 meses. Se couber no limite da obra (dezembro de 2013), será admitido um avanço no prazo”, explicou o ministro. Além de admitir um prazo maior para licitação e contratação de uma obra de mobilidade urbana, foram apresentados alguns ajustes na matriz de responsabilidade.

FONTE: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=73063&fonte=capa

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