AEB alerta para risco de desindustrialização

Entidade afirma que predomínio de vendas de commodities em detrimento de manufaturados prejudica o País

ANTONIO CRUZ/ABR/JC

 
Diretor da Fiesp, Giannetti da Fonseca alerta para predomínio de commodities nas exportações.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e diretor da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, e o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, alertaram para o efeito de desindustrialização em alguns setores da economia brasileira. Os dois ressaltaram uma inversão na composição da pauta exportadora do País nos últimos anos, com predomínio de commodities em detrimento de produtos manufaturados. O cenário é especialmente preocupante neste momento, segundo eles, diante da turbulência internacional, em meio à queda do preço de commodities. “Tudo o que o Brasil se beneficiou nesses últimos anos pode agora se reverter”, diz Castro.

O executivo cita produtos como o açúcar – que teve aumento em termos de volume e de preço na última década, passando de US$ 197,00 por tonelada para US$ 556,00 por tonelada entre 2001 e 2011. Fonseca ressalta que, em 2000, a pauta era marcada pela exportação de aviões, automóveis, confecções e aparelhos, entre outros. Hoje, aviões, por exemplo, aparecem apenas marginalmente na pauta. Fonseca destaca que o coeficiente de importação, medido sobre o consumo aparente, alcançou 22,9% no segundo trimestre de 2011. Em 2003, estava em 12,5%.

“Em oito anos quase dobrou. Crescer é bom para a economia brasileira, o que não pode é crescer desta forma acelerada, substituindo produto nacional por importado de forma predatória. Muitas vezes as importações são feitas de forma desleal”, diz. A AEB mostra que as exportações de manufaturados estagnaram em toneladas desde 2009, enquanto as de commodities explodiram, sustentando a balança comercial desde 2001.

o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, defende que há uma larga cadeia de tecnologia por trás das commodities agrícolas vendidas pelo Brasil e que exportar alimentos e energia não é “uma volta ao passado”. “Tende a se achar que a commodity é desindustrialização, o que não é verdade. Isso me deixa profundamente incomodado”, diz Jank, acrescentando que há uma incorporação grande e cada vez mais sofisticada da indústria nos alimentos e na energia vendida pelo País. Segundo ele, não há sinais de desindustrialização e o Brasil está indo apenas na direção de sua vocação e do que é esperado do País. Ele afirma que houve uma mudança de cenário nos últimos quatro, cinco anos e que o mundo quer hoje produtos básicos. “Ninguém vai deixar de comer”.

Para Fonseca, a defesa de incentivos à exportação de commodities não deve ocorrer em detrimento do incentivo à exportação de manufaturados. O economista defende que as duas questões não são conflitantes. “A gente não pode olhar para o Brasil com a dimensão territorial, populacional, com as questões sociais que tem, e pensar que a gente vai continuar exportando soja em grão, ao invés de óleo e farelo, exportando algodão em vez de vestuário, carne in natura ao invés de cortes especiais embalados. O mesmo serve para a área de minério também”, afirmo Fonseca. “O Brasil tem que exportar valor agregado. Não é uma coisa contra a outra, é a commodity mais o produto manufaturado.”

De acordo com Jank, adicionar valor agregado aos produtos é uma meta, mas nem sempre leva à lucratividade. Ele explica que a indústria de commodities é altamente desenvolvida em tecnologia e que, por distorções da cadeia produtiva, é muitas vezes mais lucrativa do que a indústria da transformação. “A Vale ganha muito dinheiro com minério de ferro e a logística, mas talvez não ganhasse tanto com o aço, porque há excedente no mundo. Há distorções que beneficiam o produto básico. O manufaturado nem sempre é tão lucrativo.”

Confiança industrial volta a cair em agosto, aponta levantamento realizado pela CNI

Depois de dois meses no mesmo patamar, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) voltou a cair em agosto, atingindo 56,4 pontos. Embora ainda expresse otimismo na indústria em relação à economia brasileira e à própria empresa, o indicador está abaixo da média histórica, de 59,6 pontos. Pelo critério utilizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Icei varia de zero a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos indicam empresários confiantes. Por isso, embora as expectativas continuem positivas, o setor está menos otimista que nos últimos dois meses, quando o índice foi de 57,9 pontos. Na comparação com agosto de 2010, houve uma queda de 7,6 pontos.

Segundo a CNI, a queda da confiança ocorreu para todos os portes de empresa e para quase todas as regiões brasileiras, com exceção do Nordeste. A piora do índice ocorreu em função do pessimismo registrado em relação às condições atuais da economia brasileira e da própria empresa. Nestes itens, os indicadores ficaram abaixo de 50 pontos – a única exceção foi o setor de borracha. No entanto, as expectativas sobre a economia brasileira e para a própria empresa nos próximos seis meses continuam otimistas (60,7 pontos), embora em menor grau que nos últimos meses.

Dos 26 setores considerados da indústria de transformação, 19 registraram queda das expectativas sobre a economia brasileira para os próximos seis meses. Apenas madeira, veículos automotores e máquinas e materiais elétricos registraram índices de expectativas inferiores a 50 pontos. A CNI pesquisou 2.347 empresas, entre os dias 1 e 16 de agosto deste ano.

FONTE: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=70780&fonte=nw

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