Para ver, ouvir e jogar

Com influência dos games e da internet, os livros para tablets oferecem uma nova experiência de leitura
Danilo Venticinque
 

 

Na passagem da era analógica para a digital, poucos produtos mudaram tão pouco quanto o livro. Os e-books já são um sucesso, sem dúvida: nos Estados Unidos, o formato digital já é o mais vendido, superando os livros de capa dura, brochura e de bolso. Mas, até agora, dispositivos como o leitor digital Kindle, da Amazon, oferecem ao leitor uma experiência quase idêntica à dos livros de papel: letras pretas sobre um fundo branco, como o alemão Johannes Gutenberg concebeu há mais de cinco séculos e meio. A nova safra de livros para o iPad pretende revolucionar esse formato e transformar o hábito da leitura, incorporando vídeo e games aos textos e usando a capacidade multimídia dos tablets.

Nos últimos meses, dois grandes lançamentos interativos despertaram a atenção (e a euforia) das editoras para o potencial dos livros interativos. No campo da não ficção, o grande destaque foi o aplicativo Our Choice, continuação do documentário Uma verdade inconveniente, do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore. Desenvolvido por Gore em parceria com o designer Mike Matas, Our Choice é organizado em capítulos, como um livro tradicional. Mas cada capítulo contém uma série de conteúdos interativos, áudio e fotos em alta defi-nição, que podem ser ampliadas pelo leitor com um toque dos dedos. Os 19 capítulos de Our Choice também têm embutidos mais de uma hora de documentário. Um filme dentro do livro.

No campo da literatura, o aplicativo The Waste Land, baseado no poema homônimo de T.S. Eliot, demonstrou que mesmo textos consagrados têm algo a ganhar com a chegada da interatividade. Para desbravar um dos maiores e mais enigmáticos poemas do sécu-lo XX, o leitor conta com explicações para cada verso ao alcance dos dedos, sem prejudicar o fluxo da leitura. Entrevistas com gran-des escritores e críticos literários ajudam a esclarecer a importância do poema e do autor para a história da literatura. Os leitores que já são conhecedores e entusiastas de Eliot encontram outros atrativos, como duas gravações do poema na voz do autor e uma repro-dução de anotações feitas pelo poeta Ezra Pound nos originais de Eliot. O aplicativo foi criado em uma parceria da empresa de con-teúdo digital Touch Press com a editora britânica Faber & Faber. “‘The Waste Land’ é o poema ideal para ser transformado em apli-cativo porque é um texto curto sobre o qual há muito a ser dito”, afirma o cientista americano Theodore Gray, um dos fundadores da Touch Press. “Nós acreditamos que, acessando o conteúdo do aplicativo, o leitor vai compreender melhor e admirar mais o texto de Eliot do que se tivesse acesso a ele apenas no papel.”

Leia mais em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI250026-15220,00-PARA+VER+OUVIR+E+JOGAR.html

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: