Superpotência: uma visão sobre o país de 1,3 bilhão de habitantes

Após uma semana e meia em solo chinês, é possível derrubar mitos e construir uma visão mais clara sobre a China.

Guilherme Schmidt/Da redação

Foto:
 China

  – “Você provou a carne de cachorro?” é a primeira pergunta que fazem quando você volta de uma viagem à China. Uma curiosidade divertida (e para responder: não comi e até já existem leis proibindo a “iguaria”), mas que mostra o quanto nós estamos distanciados da verdadeira questão que envolve a segunda maior economia mundial. Afinal, o quanto a China afeta a nós e ao planeta? E

conomistas do mundo inteiro concordam em um ponto: se a China balançar, o planeta vai junto. Por isso, todos estão de olho no dragão chinês, que já chegou a ser chamado de gigante adormecido, e que hoje se mostra bem acordado e cresce com seus arranha-céus (na foto ao lado, Pequim), apontando uma economia para o alto e até além.

Após uma semana e meia em solo chinês dá para se derrubar alguns mitos e construir (uma palavra que os chineses adoram) uma visão mais clara de um país com 1,3 bilhão de habitantes, economia aquecida com crescimento em torno de 9% ao ano (mais que o dobro projetado para o Brasil em 2011). E olha que o governo vem desacelerando o ritmo econômico – aumentou a taxa de juros buscando fechar 2011 em alta de “apenas” 8% – para evitar uma convulsão social e controlar a inflação, que chegou a 6,4% em junho, o maior índice dos últimos três anos, segundo dados do Birô Nacional de Estatísticas (National Bureau of Statistics – NBS) da China.
Apesar de segurar o crescimento econômico, a China não deixa de acelerar seu grande canteiro de obras, que vai desde investimentos em transportes como o trem-bala e o metrô, até grandes condomínios, hotéis e prédios industriais.

O investimento em tecnologia foi incrementado nos anos 90, e cidades como Shenyang se tornaram pólos nesta linha de pesquisas, que inclui parcerias, acordos e troca de experiências com outros países. A Missão São Leopoldo-China, empreendida pela prefeitura leopoldense, Unisinos e empresários gaúchos, nos primeiros dez dias de julho, pôde comprovar, sob o calorão do verão chinês, que o país asiático não está para brincadeira quando o assunto é investir em obras e tocá-las sem a conhecida morosidade brasileira. É claro que o capital estrangeiro é forte combustível para toda esta empreitada, mas o governo comunista parece saber atuar bem no modelo capitalista.

E engana-se quem acha que isso é recente: a China vem se abrindo desde o final dos anos 70, transformando-se nos 80 e colhendo visivelmente os frutos, principalmente, nos últimos vinte anos. Boa parte das grandes empresas foram fundadas nos anos 90 e reestruturadas em meados da última década. Assim, eles foram conquistando mercados (para terror brasileiro, o que, para o bem, serviu para reorganizarmos ideias de produção e concorrência tirando muitos empresários da zona de conforto a qual estavam acostumados), superando economias de primeiro mundo (como Japão e Alemanha) e projetando-se mundialmente rumo ao título de superpotência. A pergunta é se o governo chinês conseguirá manter seu ritmo sem cometer erros como, por exemplo, os americanos cometeram. O mundo observa, inveja e até torce pela China. Afinal, uma crise chinesa teria efeitos devastadores na economia mundial.

O Partido Comunista, há seis décadas no poder, mantém a postura nacionalista e controladora de Mao-Tsé Tung, mas, desde Deng Xiaoping, sabe que deve abrir portas para evitar uma convulsão. Em seu discurso pelos 90 anos do PC, no dia 1o de julho, o atual presidente Hu Jintao, 68 anos, salientou que o PC enfrenta “testes complicados e difíceis” para governar, desafiado por problemas como “falta de unidade, incompetência, divórcio da população, e corrupção”. Promete endurecer contra isso e também contra quem discordar do governo. O povo em geral parece feliz com o momento econômico, fechando os olhos para a repressão governamental.

Leia reportagem especial na íntegra no jornal ABC Domingo

FONTE: http://www.jornalnh.com.br/novo-hamburgo/332190/superpotencia-em-construcao-uma-visao-sobre-o-pais-de-1-3-bilhao-de-habitantes.html

 

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