Eleições no Peru : Ollanta Humala é o novo presidente do Peru, segundo apuração parcial

Mariana Della Barba – Enviada especial da BBC Brasil a Lima

Ollanta Humala comemora vitória em Lima (Getty)

Humala e seus partidários comemoraram a vitória em Lima

O  nacionalistas Ollanta Humala foi eleito neste domingo o novo presidente do Peru,  segundo a apuração feita por institutos de pesquisas. O candidato de  centro-esquerda teria vencido sua rival, a conservadora Keiko Fujimori, por uma  pequena vantagem.

De  acordo com o instituto Ipsos Apoyo, Humalla teve 51,4% dos votos, enquanto Keiko  ficou com 48,6%. Os números apurados pela organização Transparência são  praticamente os mesmos: 51,3% a 48,7%, respectivamente.

Os  dados são baseados em uma contagem rápida dos votos, feita por amostragem logo  no início da apuração e, segundo analistas, costumam ser mais fiéis que a pesquisa  de boca de urna.

Logo  após a divulgação dos primeiros resultados, partidários de Humala começaram a  tomar a Praça 2 de Mayo, no centro de Lima. No início da noite, o local estava  totalmente lotado de “humalistas”, que agitavam bandeiras peruanas e outras  estampadas com a letra “O”, símbolo da campanha de Ollanta Humala.

“Governo inclusivo”

O  chefe de campanha de Humala, Félix Jiménez, afirmou que não há motivos para  que cidadãos e empresários temam o resultado da eleição, já que o novo governo vai  respeitar a atual política monetária e econômica do Peru.

“Humala  fará um governo para todos os peruanos, sem exclusão social. Vamos aumentar o  salário mínimo e investir em programais sociais e para isso vamos convocar os  melhores profissionais”, disse Jiménez.

O  escritor peruano Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de literatura e que apoiou  Humala no segundo turno, disse que com a vitória do nacionalista seu trabalho  havia terminado.

“Parcitipei  para salvar a democracia no Peru. Me comprometi em nome da liberdade e dessa  democracia. Se Ollanta Humala não cumprir seus compromissos, eu estarei na  primeira fila para lembrá-lo de suas promessas.”

Nos  últimos dias de campanha, Humala moderou ainda mais seu discurso, para atrair os  indecisos, que somavam até 10% dos eleitores.

Indígena Quechua vota em eleições do Peru (AP)Votação transcorreu sem maiores incidentes no Peru

Durante  toda a campanha, ele procurou se afastar da imagem do presidente venezuelano,  Hugo Chávez. Segundo pesquisas na época, essa relação era o principal motivo de  rechaço contra ele entre os peruanos.

Incertezas

Durante a manhã e tarde de domingo, os peruanos saíram para escolher entre Keiko e Humala, após uma corrida presidencial dominada por incertezas e  posições extremistas.

O processo eleitoral transcorreu normalmente, apenas com alguns problemas que  não chegaram a atrapalhar a votação, segundo observadores internacionais e o  Departamento Nacional de Processos Eleitorais do Peru.

Com o dedo marcado de  tinta indelével pela última vez, já que as próximas eleições serão com urna  eletrônica, os eleitores estavam tranquilos durante a votação em Lima, mas se  diziam tensos e preocupados com o  resultado.

No bairro  central de Miraflores, militares armados acompanhavam a votação nos corredores  da escola escola Juana Alarco de  Dammert.

Ao sair de sua  sala, o administrador José Antonio Marote, de 50 anos, contou que votou nulo: “Os  dois (candidatos) passaram o tempo todo fazendo ataques um contra o outro e mal  falaram de suas propostas.”

Para ele, essa é uma  eleição decepcionante, pois a grande maioria da população está insatisfeita,  votando pelo mal  menor.

“Agora, meu único  medo é que, se perder, Humalla convoque seus seguidores para irem protestar nas  ruas.”

Já o filho de  Marote de 18 anos, que tem o mesmo nome do pai, votou pela primeira vez nessas  eleições e escolheu Keiko, embora acredite que Humala seja o vencedor.

“Vi nas pesquisas  divulgadas lá fora que ele está na frente. Mas se ele perder acho que não vai  ter nenhum problema. Ele já perdeu uma vez e não aconteceu nada”, disse, sob o  olhar de desaprovação do pai

Clique Leia mais na BBC Brasil: Polarização de candidatos e narcotráfico atraem atenção para eleição peruana

Temor

Nelli Flores, de 19 anos, eleitora de Keiko tem outro temor.

“Acho que se o Humalla ganhar, vai ser muito ruim para as empresas privadas,  principalmente as pequenas, como a minha”, disse a peruana, que tem um  escritório de serviços de reformas.

Prestes a entrar na sala em que deveria votar, a enfermeira Lucia Vienueva,  de 50 anos, afirmou que ainda não sabia em que ia votar.

José Antonio Marote (filho) em local de votação (Foto: Mariana Della Barba)Marote (filho) conta que votou em Keiko mas ouviu sobre vantagem de Humala em pesquisas

“No primeiro turno, votei por PKK. Por isso acho que agora vou votar em  Keiko”, disse a Vienueva, em referência ao candidato Pedro Pablo Kuczynski, que  passou a apoiar a candidata conservadora. “Na hora, vou fechar os olhos e  escolher um dos dois.”

Clique Leia mais na BBC Brasil: Redutos de Keiko e Humala em Lima refletem a pobreza que atinge peruanos

Propaganda eleitoral

O chefe da missão da missão da Organização dos Estados Americanos  (OEA), que monitora a eleição peruana, Dante Caputo, disse que o segundo turno  havia sido mais tenso que o primeiro, por enfrentar um cenário “muito mais  polarizado”.

“Mas tudo está bem tranquilo, até agora não tivemos nenhum  inconveniente significativo”, afirmou,

Na segunda-feira, a missão da OEA divulgará um primeiro  informe sobre o processo eleitoral.

A diretora do Departamento Nacional de Processos Eleitorais  (ONPE, na sigla em espanhol), Magdalena Chú Villanuea, afirmou que houve  pequenos incidentes durante a votação, mas nenhum que atrapalhasse o  processo.

A maior parte das irregularidades registradas (77%) foram de  propaganda eleitoral ilegal e, em seguida, problemas com os materiais de votação  (10%), como cédulas e urnas.

A diretora do ONPE acompanhou parte da  votação no distrito de Pacarán (no sul de Lima), onde um grupo de 1.354 peruanos  testou a urna eletrônica pela primeira vez e qualificou como “histórico” o uso  do software eleitoral.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/06/110606_peru_atualizacao2_mdb.shtml

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