Cresce preocupação com a alta da inflação

Pesquisa da CNI mostra que 71% dos entrevistados creem que os preços vão subir

Uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o consumidor brasileiro está cada vez mais preocupado com a inflação. Essa mudança de opinião é refletida em um dos componentes do indicador mensal elaborado pela entidade sobre as expectativas dos consumidores. Questionado sobre renda, emprego e planos de compras, o cidadão se mostrou mais temerário em relação à alta dos preços em um nível “muito acima do usual”, conforme os pesquisadores da CNI.

De abril para maio, o indicador de expectativas para inflação caiu de 100,8 para 100,1 pontos – nesse caso, quanto menor a pontuação, menor a confiança do consumidor de que a alta do preços vai arrefecer. Em maio de 2010, por exemplo, o consumidor estava muito mais confiante a esse respeito: a leitura do indicador apontava 115,4 pontos. A CNI afirma que 71% dos entrevistados acreditam que a inflação vai aumentar. Trata-se da maior taxa desde setembro de 2001, mês do atentado terrorista nos EUA, e que efetivamente pressionou a taxa de câmbio, e repercutiu nos índices de inflação posteriores.

O consumidor, no entanto, se mostrou mais otimista em relação aos demais tópicos da sondagem: as perspectivas em relação ao emprego e renda permanecem positivas, e a expectativa de comprar bens de maior valor pouco se alterou entre os dois meses. Dessa forma, o Índice Nacional de Expectativa de Consumidor, que sintetiza todos os tópicos, aumentou 0,1% entre maio e abril, o que interrompeu uma sequência de seis meses consecutivos de queda. Para elaborar essa pesquisa, a CNI ouviu 2.002 pessoas em todo o país entre os dias 12 e 16 de maio.

Já a percepção do mercado é diferente. O boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, mostra redução na projeção para o IPCA em 2011, recuando de 6,27% para 6,23%, em um patamar ainda distante do centro da meta de inflação, que é de 4,5%. A meta tem margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Os analistas mantiveram a projeção para a inflação em 2012 em 5,1%. No caso da inflação de curto prazo, o mercado manteve em 0,48% a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio de 2011. Para a inflação de junho, a taxa prevista passou de 0,13% para 0,11%.

Nessa linha, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, projetou ontem que a inflação vai ficar “próxima a zero nos próximos dois a três meses”. O motivo, diz, é a tendência já demonstrada de inflexão dos preços dos alimentos. “A tendência é de acomodação”, disse. Para Mendes, a pressão dos alimentos foi responsável por acelerar a inflação desde o final de 2010 em razão da alta dos preços internacionais das commodities. Tal tendência, porém, já mostra uma dinâmica diferente, segundo Mendes. Isso, diz, já mexeu com as expectativas futuras de inflação e levou analistas a estimarem taxas mais baixas do que há alguns meses.

Segundo Mendes, o principal instrumento para conter a demanda – e consequentemente a inflação – é a taxa de juros. As chamadas medidas macroprudenciais são expedientes adicionais e têm como objetivo primeiro controlar o mercado de crédito, com mecanismos como compulsórios mais elevados. Tais medidas, porém, “ajudam também a controlar a demanda”.

Ministério da Fazenda eleva projeção do IPCA de 5% para 5,6%

O Ministério da Fazenda elevou sua previsão para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011, de 5% para 5,6%, de acordo com o documento Economia Brasileira em Perspectiva, relativo ao primeiro bimestre deste ano. Os dados foram divulgados no site do ministério. Para 2012, a perspectiva de inflação passou de 4,5% para 4,6%, um pouco acima do centro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. Com a revisão, os números se aproximam mais das estimativas de mercado, mas ainda estão abaixo desse patamar. No dia 20 de maio, o Ministério do Planejamento divulgou uma projeção para a inflação de 5,7% em 2011. “A acomodação da atividade econômica numa taxa de crescimento mais sustentável em 2011 levará à menor pressão sobre os preços a partir do segundo semestre”, afirma o Ministério da Fazenda no boletim.

O documento destaca que, desde 2005, a inflação medida pelo IPCA tem se mantido dentro das bandas do regime de metas para a inflação. Além disso, justifica a inflação de 5,9% em 2010. Segundo a Fazenda, ela foi influenciada, entre outros fatores, pela rápida recuperação do crescimento econômico, após os impactos negativos da crise no ano anterior. O boletim destaca ainda que, no acumulado de 12 meses até fevereiro de 2011, os gastos com alimentação, despesas pessoais, vestuário e educação foram responsáveis por cerca de 67% da inflação medida pelo IPCA. “A tendência é que os preços de tais grupos comecem a ceder ao longo do ano”, destacou o documento.

O documento traz ainda a redução das projeções de crescimento da economia brasileira nos próximos quatro anos, estimando 5,1%. Na edição especial do boletim, divulgada em março deste ano para um balanço da atividade econômica em 2010, a previsão do Ministério da Fazenda era de um crescimento médio de 5,9% de 2011 a 2014. A estimativa de alta do PIB para 2011 caiu de 5% para 4,5%. Para 2012, a projeção foi reduzida de 5,5% para 5%. Em 2013 e 2014, o Ministério da Fazenda espera um crescimento econômico de 5,5%, ante os 6,5% projetados anteriormente.

O Ministério da Fazenda afirma também no documento que o mercado doméstico e os investimentos serão essenciais para garantir o crescimento médio de 5,1% da economia até 2014. No entanto, o ministério reduziu a projeção de expansão da demanda interna de 6,4%, prevista na edição especial anterior, para 5,9% no texto relativo ao primeiro bimestre de 2011. Os investimentos devem crescer em torno dos 10% e dar uma contribuição para o crescimento de 1,9 ponto percentual do PIB. No entanto, a previsão de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu de 20,4% para 19,5% do PIB. Ainda assim, voltará neste ano aos patamares de investimento de antes da crise. Em 2008, a FBCF foi de 19,1% do PIB, caindo para 16,7% em 2009 e para 18,4% do PIB em 2010.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=63596&fonte=news

 

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