Brasil propõe à China novo padrão cambial

Notícia da edição impressa de 17/05/2011

Ministro Fernando Pimentel propõe uma cesta de moedas como referência para as negociações internacionais

ANTONIO CRUZ/ABR/JC

Patriota (e) e Pimentel disseram a Deming que não há motivo para o comércio ser balizado pelo dólar.
Patriota (e) e Pimentel disseram a Deming que não há motivo para o comércio ser balizado pelo dólar.

O governo brasileiro quer convencer a China a dar início às discussões para substituição do dólar como referência para as transações financeiras e comerciais no mundo.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, defendeu ontem, durante encontro com o ministro de Comércio chinês, Chen Deming, a criação de uma cesta de moedas que possa ser usada como referência para os negócios.

Não se justifica mais, virada a primeira década do século 21, termos o mesmo padrão criado em meados do século passado, a dizer, o dólar”, disse Pimentel, durante entrevista ao lado do chanceler brasileiro, Antonio Patriota, e do colega chinês. “É importante começar uma discussão nos fóruns multilaterais adequados sobre a necessidade da mudança do padrão monetário internacional.”

A preocupação básica do Ministério do Desenvolvimento ao propor a substituição do dólar como referência para as transações internacionais é o efeito que a desvalorização da moeda americana tem provocado sobre a indústria. Com o fortalecimento do real, os produtos brasileiros ficam mais caros, o que reduz a competitividade das empresas tanto no mercado externo quanto no local.

Pimentel fez questão de frisar esse ponto ao ministro chinês, que chegou ao Brasil no fim de semana acompanhado por uma comitiva de 66 empresários. “O problema do câmbio para os países emergentes é um problema grave que afeta as nossas relações comerciais com o mundo inteiro”, disse o ministro.

Apesar da vontade brasileira, Chen Deming foi ponderado em relação ao tema. “Não nos preparamos para discutir este assunto. No G-20 podemos conversar de forma mais detalhada e apresentar nossa opinião”, disse. “Temos que ver o ponto de vista do Fundo Monetário Internacional, as exigências e demandas dos outros países. De forma geral o que podemos dizer é que essa é uma medida de longo prazo”, acrescentou.

Na semana passada, o governo brasileiro conseguiu colocar a chamada “guerra cambial” na agenda oficial da Organização Mundial do Comércio (OMC), driblando a resistência que o grupo das 20 maiores economias do mundo tem em tratar do assunto. Apesar de ter conseguido o feito, a própria China, ao lado dos Estados Unidos, foi um dos países que demonstraram desconforto em discutir o efeito do câmbio sobre o comércio mundial dentro da OMC.

Segundo Chen Deming, o que pode ser feito no curto prazo são “cálculos” sobre os efeitos que essa alteração poderia trazer. “Temos que conversar mais, mas essa discussão eu vou deixar para os ministérios de Fazenda e bancos centrais dos dois países”, disse.

Apesar da preocupação de Pimentel sobre os efeitos do câmbio no desempenho da indústria brasileira, o governo reconhece que pouco pode ser feito, neste momento, para mudar a tendência de valorização do real frente ao dólar. Mesmo após as medidas adotadas pela equipe econômica para tentar diminuir o fluxo de entrada de recursos, o País continua atraindo dinheiro do exterior. Diante deste cenário, a orientação do Palácio do Planalto é aproveitar o câmbio como um dos instrumentos de combate à inflação, preocupação mais iminente da equipe econômica.

País planeja investir US$ 1 bilhão no Brasil

Com um cenário de recuperação econômica lenta nos Estados Unidos e na União Europeia, e um Japão abalado por um desastre natural, a China pretende focar e ampliar investimentos no Brasil, afirmou o ministro do Comércio da China, Chen Deming. Segundo o ministro, a relação entre os dois países pode ser fundamental para a estabilidade do comércio internacional. A China planeja investimentos na ordem de US$ 1 bilhão no Brasil. “Sei que empresários chineses têm um foco no Brasil. Já investiram na Europa, agora estão com outro foco”, disse. O investimento chinês fora da China já atinge US$ 59 bilhões, e a promessa do ministro é de que cresça cada vez mais rápido.

A área primordial para os chineses será de infraestrutura, sobretudo energia. Deming falou do interesse chinês em linhas de transmissão, um dos gargalos no setor no Brasil. O ministro citou ainda investimentos em ferrovias, portos e comunicações.

De acordo com o ministro, existe o interesse da empresa Sany Heavy Industry, de máquinas para construção civil, em investir US$ 200 milhões no Brasil, e da empresa Geely de montar fábrica em solo brasileiro, com nova tecnologia de carros. Há ainda o interesse em investimentos na área biológica, de medicamentos e agricultura, ressaltou o ministro.

Fiergs participa do encontro em Brasília

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) esteve representada na visita do ministro chinês Chen Deming pelo presidente da entidade e do Conselho de Integração Internacional da CNI, Paulo Tigre. “Esta visita, que acontece pouco mais de um mês após a viagem da presidente do Brasil à China, é interpretada como interesse concreto das empresas e autoridades chinesas em aprofundar a parceria entre os dois países”, disse Tigre, em seu pronunciamento de abertura.

O industrial destacou também o interesse das empresas do Brasil em expandir o comércio e os investimentos com a China. “O nosso desafio é desenvolver um comércio mais diversificado de produtos. A integração entre as cadeias produtivas dos dois países e o aumento dos fluxos de investimento são objetivos a serem perseguidos”, afirmou.

Tigre lembrou ainda que o Brasil oferece, atualmente, um conjunto de opções de negócios, especialmente com a proximidade da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, além do PAC. Igualmente, a indústria do petróleo é outra oportunidade. “No período 2009-2013, mais de US$ 200 bilhões deverão ser investidos neste setor. Há inúmeras oportunidades para o investidor: do fornecimento de equipamentos para exploração à construção de navios e plataformas”, lembrou.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=62355&fonte=news

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