Redução na exportação de máquinas preocupa

Mais uma vez, as barreiras comerciais acabam por afetar o desenvolvimento das exportações. E o MERCOSUL ?

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Notícia da edição impressa de 04/05/2011

Barreiras argentinas e concorrência chinesa afetam o desempenho das fabricantes

Marcelo Beledeli, de Ribeirão Preto (SP)

EDSON SILVA/ FOLHAPRESS/JC

Apesar das pressões, empresas investem diante da expectativa de crescimento do mercado interno.

O fechamento do mercado argentino e a concorrência com os produtos chineses devem levar as indústrias brasileiras de máquinas e equipamentos agrícolas a buscar novas estratégias de investimentos e vendas nos próximos anos. Durante a 18ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), os grupos John Deere e Valtra relataram suas preocupações com a situação atual do mercado e explicaram seus planos para os próximos anos.
No início do ano, a Argentina impôs barreiras comerciais através da não renovação das licenças automáticas de importação de máquinas brasileiras. No caso da John Deere, as vendas para o país vizinho representam 50% de todo o volume da companhia na América do Sul. Porém, as exportações para o mercado argentino não passaram de 150 colheitadeiras nos três primeiros meses de 2011. Um dos efeitos dessa queda foi a demissão de 230 funcionários da unidade da companhia em Horizontina.
Segundo o diretor de Relações Institucionais para a América do Sul da companhia, Alfredo Miguel Neto, os problemas que o setor enfrenta com a Argentina devem ser discutidos em conjunto entre os governos dos dois países e as montadoras representadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “O acordo que temos atualmente entre os dois países não prevê licenças de importação para o setor automotivo”, declarou.
Uma solução encontrada pelas indústrias para superar a dificuldade comercial é transferir parte de sua produção para o território argentino. O grupo AGCO, que controla as marcas Massey Fergunson e Valtra, já possui uma unidade de montagem de tratores no país. No entanto, a empresa já estuda investir na expansão de suas operações com a instalação de uma fábrica no país vizinho. “A ideia é que a gente possa suprir o mercado de lá com o que for fabricado localmente”, explica Jak Torretta, diretor de produtos da AGCO na América do Sul.
Além das dificuldades comerciais com a Argentina, outro problema apontado pelas empresas é a redução da competitividade do produto brasileiro, frente às indústrias chinesas, devido aos altos custos de produção. As vantagens de produzir na China e a atração do grande mercado daquele país têm levado as companhias internacionais a buscar uma maior presença no gigante asiático. Recentemente, a John Deere lançou sua quinta fábrica chinesa, um investimento de US$ 50 milhões em uma unidade de escavadeiras. Já a AGCO anunciou no final do mês passado a compra de 80% de participação na chinesa Shandong Dafeng Machinery. A empresa, criada em 1995, produz colheitadeiras de milho, arroz, soja e outros grãos.
De acordo com Torretta, uma estratégia que as empresas brasileiras podem adotar é aumentar o nível de importação de peças fabricadas na China, a fim de reduzir os custos de produção. No entanto, há limites para a prática. Os programas de crédito governamentais, como o Mais Alimentos, que estão impulsionando as vendas das empresas no mercado interno, exigem 60% de nacionalização do produto final. “Além disso, todas as peças críticas para o funcionamento das máquinas têm que ser produzidas no Brasil, a fim de permitir um envio rápido para os clientes que necessitarem”, afirma.
É exatamente no mercado interno onde as empresas do setor apostam em crescimento. A John Deere confirmou ontem que ampliará os investimentos de US$ 2 bilhões previstos para o Brasil e anunciará novos aportes para o crescimento do seu parque fabril. Apenas no primeiro trimestre deste ano a companhia teve uma alta de 25% no faturamento no País em comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o mercado nacional como um todo registrou quedas de 12% a 15%.
A AGCO também planeja novos investimentos no País. Um deles é a reestruturação da unidade de colheitadeiras da Valtra em Santa Rosa, onde US$ 25 milhões deverão ser aplicados nos próximos quatro anos. De acordo com a empresa, uma das principais vantagens do mercado brasileiro é que as empresas estrangeiras dificilmente conseguem realizar entradas agressivas, devido às dificuldades de estabelecer sistemas de atendimento pós-venda eficientes. “Eles não possuem revendas preparadas para fornecer peças de reposição em tempo hábil para os produtores”, explica Torretta.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=61227&fonte=news

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