Vietnã: abacaxis e pontes de macaco no fértil delta do rio Mekong

Uma dica de leitura interessante está no blog de Haroldo Castro, da revista Época (link ao final da reportagem). São muitas informações no canal chamado “Viajologia”, acho que o nome já diz muita coisa, quando falamos em conhecer novas culturas.

Esta reportagem, está comentando do mercado flutuante do Vietnã! Se pensarmos que este país é um grande produtor de alguns itens manufaturados, que precisam muito do trabalho manual em sua produção, como por exemplo o calçado, (é o 2º maior produtor mundial de calçados)  é no mínimo curioso, pensar que existe espaço para muitas formas diferentes de micro-economia. Isto também é cultura!

Vale a leitura

Haroldo Castro

Existem cinco a seis milhões de motos para transportar os nove milhões habitantes de Ho Chi Minh City, antiga Saigon. O número de motos cresce a um ritmo tão assustador como o tráfego. Para fugir da insuportável poluição sonora e atmosférica da maior cidade do Vietnã, parto para o delta do Mekong.

Os vietnamitas chamam o rio Mekong de Cuu Long ou Nove Dragões. Ele nasce nos nevados do Tibete e, depois de percorrer 4.500 kmpor seis países, desemboca em nove pontos diferentes no mar do Sul da China, criando uma planície de 40.000 km2, perfeita para a agricultura.

O Delta do Mekong é o celeiro do Vietnã. Uma vendedora transporta melancias, abóboras e repolho na sua canoa.

My Tho, a primeira cidade às margens do Mekong, está apenas a 70 kmda capital. Uma caminhada pelo mercado ao lado do rio confirma que a região merece o nome de “celeiro de arroz”. Vendedoras oferecem uma dúzia de tipos diferentes do cereal, enquanto que carregadores enchem uma barcaça com centenas de sacos. O Vietnã é o segundo produtor mundial de arroz: de cada quatro sacas produzidas no país, três vêm dessa planície naturalmente fertilizada pelo Mekong.

Só é possível visitar um mercado flutuante bem cedo pela manhã.
Às dez horas o movimento termina, pois o sol é muito forte. Ao amanhecer, já estou dentro de uma canoa. As águas barrentas do Mekong estão agitadas, tanto pelo contínuo tráfego fluvial como pela mudança da maré que avança rio adentro.

O mercado flutuante Cai Rang é o mais animado do delta. Uma senhora oferece, da sua canoa, refrigerantes gelados para atenuar o calor da manhã.

Chego em Cai Rang, o maior mercado flutuante da região. Dezenas de barcos de médio porte estão ancorados de um lado do rio, sem tocar a margem, enquanto que pequenas canoas navegam ao redor. Cada barco vende um ou dois produtos específicos. Uma longa vara com uma fruta ou uma verdura  amarrada na ponta, como se fosse uma bandeira, anuncia a especialidade. Os barcos desempenham o papel de atacadistas e as canoas, uma vez abastecidas, zarpam pelas centenas de canais do delta para redistribuir os produtos frescos aos habitantes da região.

Encostamos em um dos barcos e sou convidado a subir. A embarcação é bem mais alta que nossa canoa e eu terei um melhor ângulo fotográfico. As cenas de compra e venda se repetem a minha volta e cada transação merece uma imagem. Encantado pelo cenário dinâmico e colorido, nem me dou conta quando Nguyen, o dono do barco, aparece com um abacaxi suculento, já descascado. Olho para o alto da vara e lá está um exemplar. Nguyen só negocia essa fruta e está satisfeito com as vendas do dia. Além de ser um perfeito café da manhã, o abacaxi maduro é uma excelente prova da hospitalidade vietnamita.

Cada embarcação vende um produto específico. Para a identificação, amarram a fruta ou a verdura na ponta de uma vara.

De volta a canoa, seguimos pelos meandros dos canais em busca de uma “ponte de macaco” ou cau khi, em idioma local. Esse tipo de ponte é bastante estreita e é construída com poucas varas de bambus. Para que não se torne um perigo público, um corrimão oferece apoio aos que pretendem cruzar um dos inúmeros canais que existem no delta.

Perto de um pomar de lechia e rambutão, encontro minha primeira ponte de macaco. Seu nome se inspira nos malabarismos necessários para cruzá-la. Mas os locais não precisam fazer macaquices: vejo um senhor atravessando a estreita ponte levando uma bicicleta no ombro e um jovem carregando um saco de arroz. Cruzam com confiança, sem precisar segurar o corrimão de bambu.

Uma menina cruza uma ponte de macaco, construída com algumas varas de bambus ou troncos de árvore para os locais atravessarem os inúmeros canais do Delta do Mekong.

É essa mesma confiança que eu sinto durante minha jornada no Vietnã. Embora o país tenha sido destruído por uma guerra que terminou há 36 anos (Saigon caiu em 30 de abril de 1975), seus habitantes só pensam agora no futuro. Enfocados no trabalho, eles encontram a fartura que é oferecida pelas águas e terras ricas do Mekong.

Fonte: http://colunas.epoca.globo.com/viajologia/

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