Governo chinês apoia reforma do Conselho de Segurança da ONU

  • Como uma das primeiras medidas efetivas para alavancar as exportações brasileiras, a visita da presidente Dilma vislumbra uma série de benefícios bilaterais entre Brasil e China.  A idéia de agregar valor às commodities e parcerias para a Copa do Mundo de 2014 também entraram em pauta. Vejam

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A presidente Dilma Rousseff se reuniu em Pequim nesta terça-feira com o presidente da China, Hu Jintao. Foram assinados 22 acordos para impulsionar as relações bilaterais sino-brasileiras

Redação Época, com Agência Brasil e Agência EFE

PARCERIAS
Dilma e Hu Jintao em cerimônia de boas-vindas no Grande Palácio do Povo de Pequim

Em nome da promoção do “desenvolvimento, da democracia, dos direitos humanos e da justiça social”, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da China, Hu Jintao, reafirmaram nesta terça-feira (12) parcerias nas quais garantem a manutenção de um Comitê Conjunto de Defesa e uma série de acordos de cooperação na área. Na presença de Dilma, Hu Jintao defendeu a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas de tal maneira que se torne mais “eficiente e capaz”.

A reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) é tema considerado prioritário na política externa brasileira. “Neste contexto, a China e o Brasil apoiam uma reforma abrangente da ONU, incluindo o aumento da representação dos países em desenvolvimento no Conselho de Segurança como uma prioridade”, diz o comunicado conjunto divulgado nesta terça-feira.

Para o governo Dilma, a estrutura do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que é do final da 2ª Guerra Mundial, não corresponde ao mundo atual. Por isso, o esforço é para ampliar o número de cadeiras de 15 – cinco permanentes e dez provisórias – para 25, entre as quais o Brasil se coloca como candidato a titular.

“A China atribui alta importância à influência e ao papel que o Brasil, como maior país em desenvolvimento do hemisfério ocidental, tem desempenhado nos assuntos regionais e internacionais, e compreende e apoia a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas”, diz o documento.

BRINDE
Dilma e Hu depois da assinatura dos acordos

De acordo com o comunicado, Dilma e Hu Jintao concordam que os países em desenvolvimento merecem ampliar seu espaço no cenário político internacional, por isso pretendem ampliar o diálogo em busca dessa conquista. Paralelamente, China e Brasil defendem a atuação da ONU como mediadora de negociações internacionais.

“[Os presidentes da China e do Brasil] reiteraram seu comprometimento com o multilateralismo e expressaram seu apoio ao papel central da ONU na solução de grandes questões internacionais. Reafirmaram [ainda] a necessidade da reforma da ONU, de forma a torná-la mais eficiente e capaz de tratar dos desafios globais atuais”, completa o documento final.

No Grande Palácio do Povo, Dilma e Hu oficializaram a assinatura de 22 acordos que impulsionarão a associação estratégica conjunta. Antes, houve uma reunião de uma hora e meia com os dois líderes, realizada “em um clima cordial e de amizade”, segundo a declaração final, e na qual os presidentes analisaram as relações bilaterais, regionais e internacionais de interesse comum.

Os acordos e princípios de acordo (estatais e privados) assinados envolvem diferentes áreas: política, defesa, ciência e tecnologia, recursos hídricos, esporte, educação, agricultura, energia, telecomunicações e aeronáutica, entre outros.

Desde sua chegada a Pequim, Dilma destacou a importância de uma relação dinâmica e equilibrada que complemente as economias. Os dois líderes se comprometeram nesta terça-feira a ampliar e diversificar os investimentos recíprocos particularmente em tecnologia, automação, energia, minerais e logística e destacaram a importância de desenvolver a cooperação aeronáutica em aviação regional e executiva, aprofundando a associação entre AVIC e a Embraer, e neste sentido se anunciou um protocolo de compra pelas companhias Hebei e Southern Airlines de 20 aviões ERJ190 para 100 passageiros e 5 opções de compra.

Os líderes reconheceram também o elevado potencial de cooperação em infraestrutura e em projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em transporte e energia. O texto afirma que “ambos coincidiram na importância de emprestar especial atenção à execução conjunta de projetos de infraestrutura que contribuam à integração sul-americana” e anunciou a abertura do mercado chinês à carne de porco do Brasil, a ampliação de estabelecimentos para exportar frango e carne bovina, a aceleração de trâmites para entrada na China de gelatina, folha de tabaco, milho, embriões e sêmen de bovino, e no Brasil de peras, maçãs e frutas cítricas chineses.

Os países também acordaram em desenvolver estratégias comuns para acrescentar valor a produtos alimentícios exportados a ambos países.

Mais cedo, ao fim de um seminário de negócios no qual 300 empresas brasileiras e chinesas buscaram oportunidades e parceiros, Dilma afirmou que o Brasil deseja abrir um novo capítulo comercial com a China “e dar um salto qualitativo na relação”. “Queremos ser parceiros em oportunidades de investimento em negócios e serviços e inovação. É bom que até agora o comércio seja petróleo, soja e minerais, mas isso não basta. O Brasil deseja agregar valor a suas exportações para um comércio sustentável. Desejamos uma relação mais dinâmica, sofisticada e equilibrada”, afirmou.

Segundo a presidente, “frente os desafios que o planeta apresenta, Brasil e China podem seguir integrando as economias em forma competitiva e globalizada no mercado do século XXI, mas também buscando a justiça social”. “Esperamos inaugurar um novo ciclo de investimentos na área industrial, em equipamento, tecnologia da informação, construção e automação, mas com transferência de tecnologia, em um verdadeiro processo de integração”, afirmou.

Dilma disse que será de grande utilidade para a Copa do Mundo de Futebol (2014) e os Jogos Olímpicos (2016) no Brasil a experiência de empresas chinesas em logística e construção de infraestruturas “como também serão bem-vindas para o trem de alta velocidade Rio de Janeiro-São Paulo-Campinas, e no setor agrícola e de biocombustíveis”.

No dia 7 de abril, foi adiado para julho a licitação do trem-bala. Empresas de Espanha, Coreia do Sul, França, Japão e Alemanha estão interessadas no leilão do primeiro trem desse tipo na América Latina.

“Também o processo de integração latino-americana oferece novas oportunidades de investimento nas duas economias mais dinâmicas da Ásia e América Latina”, disse a governante.

LY

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI225408-15223,00-GOVERNO+CHINES+APOIA+REFORMA+DO+CONSELHO+DE+SEGURANCA+DA+ONU.html

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