Culinária brasileira faz sucesso no exterior

 

Olá,

Não é novidade, pensar que a gastronomia é fator de relação cultural e internacional. Porém, a partir do momento que há investimentos do próprio governo, para ampliar esta atuação no exterior, teremos mais chance de promover nossa cultura também no mercado externo.

 Veja abaixo e bon appetit !

NotícO setor alimentícioia da edição impressa de 04/04/2011  

Culinária brasileira faz sucesso no exterior

Marcela Mourão

CLAUDIO FACHEL/Arquivo/JC

 

Latinos e norte-americanos estão receptivos a experimentar novos sabores.

O setor alimentício tem sido um dos grandes focos de empresários brasileiros no exterior. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) desenvolve várias ações nesse sentido, uma delas a chamada internacionalização de empresas brasileiras. “Muitos empreendedores estão percebendo que há oportunidades não só na exportação de produtos, mas em criar transnacionais, ou seja, tornar suas empresas globais, e nesse sentido propiciamos todo apoio necessário no processo”, explica Gilberto Lima, coordenador da Unidade de Internacionalização da ApexBrasil. Diversas marcas fortes no Brasil estão com esse foco. A rede de fast food Giraffas trabalha o mercado dos Estados Unidos.

Outra ação da agência é o projeto Sabores do Brasil, que busca o posicionamento e imagem de produtos brasileiros lá fora. No ano passado, houve uma mostra na Arábia das marcas de alimentos brasileiros e com participação de chefs nacionais. A ApexBrasil também desenvolve promoção na Fórmula Indy nos Estados Unidos que, em 2010, somente no ramo da alimentação e bebidas proporcionou o fechamento de negócios no valor de US$ 53 milhões. A corrida de Miami, em outubro do ano passado, recebeu o nome de Cafés do Brasil Indy 300.

Com sete escritórios no mundo (Miami, nos Estados Unidos; Havana, em Cuba; Luanda, em Angola; Bruxelas, na Bélgica, Dubai, nos Emirados Árabes; Moscou, na Rússia; e Pequim, na China), a agência presta toda orientação necessária para a entrada no mercado estrangeiro. “É preciso mostrar onde investir, mas também explicar o que não deve ser feito, o que muitas vezes é até mais importante”, ressalta.

A rede Giraffas, que nasceu no Distrito Federal e tem 347 restaurantes no Brasil, mira agora o mercado internacional. Estudos econômicos foram feitos em países da América Latina, Europa e Estados Unidos e o resultado não apontou muita diferença entre eles. Portanto, a opção foi por Miami, no estado americano da Flórida. “Desenvolver e operar um restaurante nos Estados Unidos fornecerá um importante know-how à empresa. Novos processos operacionais devem ser implantados na operação brasileira”, explica Cláudio Miccieli Júnior, gerente de novos mercados da rede Giraffas e responsável pelo Giraffas US.

No mercado norte-americano, os restaurantes terão um serviço de atendimento em mesa, em que o pedido é feito no balcão. A empresa constatou em pesquisas que não apenas o público latino residente em Miami, mas o próprio norte-americano está mais receptivo a experimentar novos sabores. O cardápio terá uma linha similar ao que é oferecido no Brasil, incluindo arroz e feijão. Outro diferencial será o sanduíche Giraffão Filé, cujo principal ingrediente é uma peça in natura de filé mignon. O restaurante em Miami deve ser inaugurado ainda neste mês e a meta da rede é encerrar o ano com ao menos três lojas em operação nos Estados Unidos.

Mas não são apenas os estrangeiros que se rendem aos sabores do Brasil. Para quem recém se mudou para o exterior ou está há mais tempo e esqueceu o gostinho da terra natal, as opções para matar a saudade da gastronomia são variadas. E muitos brasileiros que mudam para outros países veem uma oportunidade profissional nesse nicho.

De acordo com Tatiane Dias, proprietária do site Sair do Brasil, voltado para esclarecer dúvidas para quem se muda ao exterior, a abertura de restaurantes brasileiros está virando uma tendência. “O Brasil ganha reconhecimento, ainda mais agora que teremos Olimpíadas e Copa do Mundo, fazendo com que pessoas de outros países se interessem pelos nossos hábitos e cultura. E é aí que o imigrante vê a oportunidade de abrir seu restaurante de comidas típicas”, afirma.

Taylor Maia, dono da rede Pizza Orgasmica, na baía de São Francisco, Califórnia, também acredita em mais oportunidades em razão dos eventos esportivos. “Depois dos atentados em Nova Iorque, a economia diminuiu e tudo ficou mais difícil. Mas, com certeza, agora vai ser uma grande oportunidade para mostrarmos o nosso produto, cultura e ideias para o povo americano.”

Para estrangeiro provar e aprovar

Não é só para matar a saudade da terra natal que os restaurantes brasileiros estão se proliferando no exterior.

Os estrangeiros apreciam a culinária brasileira, principalmente o churrasco. O americano Steve Zabielskis aprovou a experiência do espeto corrido na churrascaria Espetus, em São Francisco, na Califórnia.

“Era muito difícil recusar, mesmo quando já sentia que não dava mais para continuar comendo”, relembra. “Eu já teria ficado satisfeito se tivesse pedido um tipo de carne como prato principal, mas é a combinação de todas que faz ficar ainda melhor”, completa.

Quanto ao ritmo do rodízio, Zabielskis conta que achou rápido demais, “mas dei o meu melhor para acompanhar todos”, brinca. No entanto, ele afirma que na próxima vez será corajoso para recusar algumas carnes. Seria uma delas coração de galinha? Tão corriqueira para os brasileiros, a iguaria ainda causa estranheza entre norte-americanos. “Eu descrevi o coração de galinha para algumas pessoas que nunca experimentaram e elas olham chocadas, mas, sinceramente, eu nem saberia o que era se não tivessem me dito. E é algo bom, com gosto mais forte que galinha”, descreve.

No entanto, Zabielskis gosta do fato de que não há muitas churrascarias nos Estados Unidos. “Os americanos estão gordos demais.”

Pizza e cerveja com gostinhos mineiros

Apesar de não ser uma comida brasileira, a pizza do mineiro Taylor Maia faz muito sucesso em São Francisco, nos Estados Unidos. O empresário mora na Califórnia há 23 anos e, em 1996, inaugurou a Pizza Orgasmica, na badalada rua Fillmore. O cardápio é famoso não só pelo sabor, mas também pelos nomes sugestivos de cada prato (doggy style, ménage à troís, latin lover, hot mamma, entre outros) e pela cerveja própria.

Como para muitos brasileiros no exterior, o empreendedorismo no ramo alimentício foi uma novidade na vida de Maia. “Fui lavador de pratos em uma pizzaria e depois motorista de entrega de outra. Ajudei e aprendi muito em tudo que podia na pizzaria e vi que estava na hora de tentar alguma coisa para mim e, pela experiência adquirida, optei por pizza ao invés de comida típica brasileira”, relembra.

Fez então parceria com sua esposa, Gina Gochez, com um amigo e a namorada dele, juntaram dinheiro e montaram o negócio. “O início como sempre foi muito difícil, você não sabe onde começar, nem onde comprar a farinha. Com o tempo, as coisas vão ficando mais tranquilas e se vai aprendendo como o mercado funciona.”

Depois da Fillmore, vieram lojas maiores com lugar para quase 200 pessoas, uma outra no centro da cidade com capacidade para 60 e a mais recente na nobre cidade de Marin County, passando a ponte Golden Gate. “Nessa loja passamos a servir também comida brasileira, a loja tem cor verde e amarela e causou muito furor aqui.”

Quanto à cervejaria, Maia sabia que o conceito de “sexo e cerveja” daria certo. “Começamos com uma cerveja e agora temos oito tipos, indo para 12. Não estamos conseguindo produzir o suficiente, então está na hora de expandir mais uma vez – um bom problema de se ter.” Rodízio de pizza, algo desconhecido nos Estados Unidos, ainda não está nos planos de Maia, pois a produção precisa ser muito rápida.

Churrasco no frio canadense

Em Edmonton, capital da província de Alberta, no Canadá, o empresário Oscar Mauricio Lopez e o chef João Antonio Dachery inauguraram em fevereiro deste ano a primeira churrascaria da cidade, a Pampa Brazilian Steakhouse. A espera do mercado canadense por esse tipo de restaurante era tanta que a inauguração contou com uma grande cobertura da imprensa. “O que nos faz únicos aqui é que assamos a carne com carvão vegetal e lenha natural, sem o uso de gás.”

Assim como no Brasil, o preço do rodízio é fixo sem limite de quantidade a ser consumida – o que para os canadenses é um dos atrativos principais, acostumados com preços altos para apenas um prato em restaurantes de carnes. “Queríamos que a Pampa fosse o mais parecida possível com uma churrascaria brasileira. Tanto a churrasqueira quanto a ilha das saladas vieram do Brasil, já que esses equipamentos não são feitos no Canadá”, diz.

Para os passadores, houve um treinamento intensivo com canadenses, uma vez que a liberação do visto de trabalho para gaúchos foi barrada. Quanto à carne, o processo também requereu esforço. “Após muita explicação, demonstração e amostras, conseguimos que o fornecedor fizesse os cortes de carne como no Rio Grande do Sul, como o da picanha e do costelão 12 horas.”

Docinhos e pão de queijo conquistam o paladar dos gringos

As oportunidades não estão somente em restaurantes e churrascarias. A gaúcha Susana Simon, esposa de Oscar Lopez, formada em administração e ex-funcionária de banco, no Rio Grande do Sul, é hoje responsável pelo A Bite of Brazil, também em Edmonton, no Canadá. Durante encontros com brasileiros residentes na cidade, Susana e a amiga Beatriz Ubeda identificaram uma oportunidade interessante: vender docinhos brasileiros. Em quatro meses, o negócio estava criado e elas passaram a produzir caseiramente e vender na feira de final de semana Farmer’s Market Downtown, maior mercado aberto da província de Alberta.

“Aqui no Canadá, e em especial em Edmonton, onde tem o maior número de restaurantes étnicos do país, a valorização da culinária é algo surpreendente. Após verificarmos a carência de produtos brasileiros e todo o cardápio multicultural rotineiro do canadense, surgiu A Bite of Brazil”, conta Susana, acrescentando que os mercados abertos são mais elitizados, resultando em uma oportunidade para criar uma ótima imagem da empresa.

A gaúcha, que hoje é a única proprietária do negócio, diz que no início tudo era dividido com a sócia, portanto, o investimento não foi alto. Elas buscaram todas as informações necessárias para o funcionamento. “Registramos a empresa e mantivemos um relacionamento constante com a inspetora de segurança de alimentos para sabermos tudo o que podíamos e não podíamos fazer”, diz. Mas ela ressalta que o apoio dos amigos brasileiros foi fundamental para o sucesso. “Eles trabalharam voluntariamente e incansavelmente nos ajudando.”

Por falta de tempo, já que trabalha na Universidade de Alberta como doutora em Engenharia de Alimentos, Beatriz vendeu sua parte do negócio. Por enquanto, o A Bite of Brazil funciona somente no verão (de junho a agosto, todos os sábados). “O grande desafio está na introdução de produto e conceito totalmente novos para o mercado local. É preciso explicar sobre a cultura, mostrar e contar como o produto é feito, tornando a venda praticamente personalizada.”

A clientela, que no início era a maioria de brasileiros, hoje está se diversificando. De acordo com Susana, 60% ainda são brasileiros, enquanto 30% são canadenses, e 10%, pessoas de outros países. Os itens mais procurados do variado cardápio são pão de queijo, brigadeiro, quindim e mousse de maracujá.

Outros desafios enfrentados são os preços e as adaptações dos ingredientes brasileiros. De acordo com ela, uma lata de leite condensado custa, em média, quatro dólares canadenses, o equivalente a R$ 6,80. E, ainda assim, o produto é similar, mas não totalmente igual ao brasileiro. O queijo para o pão de queijo é adaptado, pois não há queijo minas disponível localmente. Já os produtos como polvilho, suco de maracujá, açaí, acerola, creme de leite e café em pó brasileiro precisam ser importados. O jornal local da cidade, The Edmonton Journal, inclusive classificou os produtos como “intrigantes e curiosos”, e a revista da companhia aérea Alaska Airlines publicou reportagem sobre o mercado, recomendando os brigadeiros brasileiros.

Para este ano, Susana vai investir mais no negócio e fornecer alguns produtos para a churrascaria Pampa. Para 2012, o objetivo é ampliar o funcionamento para o ano todo. E os empecilhos de hoje com relação à aquisição dos ingredientes já são vistos como oportunidades futuras.

Saudade da comida da terra natal

A gaúcha Patrícia Ribeiro Peña está há mais de 11 anos fora do Brasil. Já morou na Bélgica e na Índia e agora está nos Estados Unidos há cinco anos. Sem planos de voltar para cá, ela depende de agradáveis surpresas gastronômicas que remetem aos tempos em que morava em Porto Alegre. “Comida é um aspecto muito importante da cultura, principalmente para pessoas como eu, que não sabem cozinhar. Quando me mudei para São Francisco, na Califórnia, direto da Índia, imaginei que meus dias de ‘saudades da comidinha lá de casa’ estavam contados, pois, como toda cidade cosmopolita, a diversidade dos restaurantes aqui é enorme.”

A experiência de voltar a comer em uma churrascaria fez Patrícia viajar no tempo. “Aquele feijãozinho caseiro com carne de panela e couve não poderiam ser mais saborosos. Fez lembrar os buf-fet a quilo da Redenção, misturado com gostinho da comida da minha mãe”, conta. Mas nada superou o momento em que ela saboreou o risólis de palmito do Sunstream Coffee, uma típica lancheria brasileira de São Francisco. “Não tem nada mais saudosista que uma experiência brasileira completa quando se está tão distante de casa.”

FONTE  http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=58635&fonte=news

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