LEILA NAVARRO EM SUAS VIAGENS E CULTURA INTERNACIONAL

Quem já teve a oportunidade de ver Leila Navarro em uma palestra não pode negar a forma surpreendente que ela aborda seus temas. Em recente relato de suas viagens, ela traz símbolos importantes quando se pensa em cultura internacional… veja: : )
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http://www.leilanavarro.com.br/blog/2011/01/contemplacao-e-memoria/

Contemplação e memória

Adoro quando caio do cavalo, hehehe… pois é uma grande oportunidade de aprender.
Estar em um país aonde a cultura é totalmente diferente da nossa é um grande exercício para qualquer pessoa.
Costumo me perceber mais consciente e regredida nestas ocasiões. Mais consciente no sentido de sair da zona de conforto, de sair do automático, pois afinal aqui na Ásia (Índia, Nepal e Butão) a mão é como na Inglaterra, os carros vão pela esquerda, só isso já bastaria para me deixar bem atenta ao atravessar e caminhar pelas ruas, etc…
Mas aqui o idioma e a escrita são totalmente diferentes, quase sânscritos, hehehe… muitas poucas placas em inglês, então os avisos nas ruas, as propagandas, etc.. não as entendo, o que além de eu ter que estar mais alerta, fico regredida, pareço uma criança que ainda não sabe ler, pergunto tudo e muitas vezes continuo sem entender nada, hehehe…
Por exemplo: a comida. É fantástico! Por mais que pergunte, é sempre uma surpresa quando o garçom traz o prato, nunca chega o que pensei que pedi, hehehe… e quando se prova nem sempre identifico. Então, saboreio e aproveito essa nova experiência, em todos os sentidos, inclusive o gustativo.
Como sou veterana, aprendi que quando se viaja para outras culturas é importante deixar as criticas e as comparações de lado, se abrir ao novo como uma criança para poder tirar o maior proveito da viagem.
Me considero uma expert nisso, uma exploradora, uma buscadora, uma pesquisadora, uma poderosa, hehehe…
Então ai vai o tombo:
Estava em um restaurante e chega a entrada, um pão indiano e duas pequenas porções de patê, uma vermelha e outra verde. Como aqui tudo é muito picante, provei primeiro o verde e com cuidado… achei um sabor agradável, e com sede de aprender perguntei ao garçom:- O que é isso ?
E ele respondeu:- Ervilha.
Eu adoro ervilha, mas não tinha identificado, provei novamente e ahhhhhhhhhhhh!!! E R V I L H A, me senti em casa , que delícia, eram ervilhas, simplesmente ervilhas, me senti na mesa com minha mãe, hehehe… me veio um flash da minha infância, minha mãe dizendo:- Come, é gostoso!!! hum!!!

O que aconteceu? Como o paladar da mesma porção mudou?
Porque gostei mais na segunda vez que na primeira? O que havia de diferente?

Já me aconteceu uma outra vez algo parecido. Estava no Japão provando um arroz com peixe, delicioso, quando o nosso instrutor revela que aquele peixe delicioso era “enguia”. Imediatamente mudou o gosto da comida, não consegui mais comer, ficou horrível e insuportável… como pode?
Pois eu respondo:- Jamais eu comeria cobra ou lesma, e se não comeria nenhuma das duas sozinhas que dirá juntas, pois enguia para mim é a soma das duas, hehehe…

Mas como explicar isso? Como em questão de segundos pode mudar o paladar de uma mesma porção?

Memória emocional, memória afetiva, memória gustativa, memórias…

Nascemos uma folha em branco, somos nesse momento apsicológicos, ahistóricos, abiologicos, aculturais, mas no momento seguinte já começamos a criar uma história de acordo com nossa etnia, gênero, cultura, valores, etc… dependendo do ambiente aonde nascemos e vivemos.

Portanto queridos amigos para sermos neutros, para exercermos o “não julgar”, para estarmos realmente abertos a aprender, a vivenciar novas experiências precisamos estar muito atentos, muito alertas e plenamente conscientes.

Precisamos aprender a nos desapegar de nossas memórias emocionais, precisamos aprender a legitimar o outro como um legítimo outro e cada momento como único e presente. Em meu entendimento este é o caminho da contemplação.

Por isso se é verdade que existe varias encarnações como se acredita por aqui, Deus zera nossa memória antes de reencarnarmos senão limitaríamos totalmente a oportunidade de aprendermos e evoluirmos espiritualmente em nossas novas vidas, hehehe… .

Comecei a exercitar a contemplação, simplesmente estar, usufruir, sem concluir, sem julgar, sem comparar.
Não é fácil, é um aprendizado, é um desafio.
É manter-se alerta.
É uma pratica de auto regulação.
Que tal desafiar-se e fazer parte dos que exercitam o “não julgar”?

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