Europa e Mercosul – acordo?

Economia | 18/05/2010

Europa e Mercosul voltam à mesa para liberar comércio

Setor agrícola pode ser o mais beneficiado com acordo

Marta Sfredo 

Uma década depois de iniciadas e após seis anos de suspensão, as negociações para a formação da área de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foram retomadas. A largada oficial na segunda, dia 17, em Madri, foi vista por líderes empresariais no Brasil com misto de entusiasmo e cautela.

Mesmo em meio à crise de países europeus e ainda sob o impacto de uma nova disputa comercial entre os dois principais sócios do Mercosul, Brasil e Argentina, a volta à mesa de negociações já foi marcada para início de julho. Entre sorrisos e troca de farpas, os presidentes rotativos dos dois blocos, o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciaram a decisão que deve render 5 bilhões de euros na abertura da 6ª Cúpula União Europeia-América Latina e Caribe.

Para o Mercosul, o alto custo dos produtos agropecuários europeus dá oportunidades para carne bovina, suína e de frango, além de açúcar e biocombustíveis penetrarem o mercado europeu. Porém, França e outros nove países resistem a abrir o mercado aos produtos agrícolas mais baratos do bloco latino-americano.

– Fácil não será, mas é preciso fazer. O Brasil e o Mercosul têm muitas ferramentas para negociar, como o contrato de compra de caças, que devem ser os franceses Rafale – avaliou Cesário Ramalho da Silva, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), representante do setor potencialmente mais beneficiado.

Dos US$ 74,8 bilhões negociados pelo Mercosul com a União Europeia em 2008, quase metade (US$ 31,9 bilhões) foi em produtos agrícolas. No sentido inverso, dos US$ 52,2 bilhões vendidos pela UE ao bloco latino, a maior parte foi em maquinário – cerca de US$ 16,5 bilhões.

– Não é importante só pelo comércio, mas também pelo investimento. Do ponto de vista conceitual, é muito bom ter um marco institucional para facilitar essas transações – disse Lúcia Maduro, consultora da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que mais teme os riscos da abertura.

Isso porque serviços e segmentos industriais sofisticados do Mercosul podem sofrer com a concorrência de europeus. A indústria de autopeças é apontada como uma das que correriam riscos frente a uma redução de alíquotas de importação.

Além disso, para os europeus, a vantagem de um acordo entre União Europeia e Mercosul é ter acesso às compras de governo, que no Brasil são superiores às da Índia.

A meta é que em dez anos sejam reduzidas as tarifas de importação de 95% dos itens negociados. A partir da retomada efetiva, serão definidos prazos para eliminar tarifas imediatamente depois da assinatura do acordo e em prazos intermediários, explica Frederico Behrends, do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).

Carlos Sperotto, vice-presidente de Relações Internacionais da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), ainda irritado com a mais recente barreira argentina, não leva muita fé:

– Não tem como um bloco cindido negociar uma posição comum.

Representante dos industriais na época do rompimento das negociações, Osvaldo Douat também levanta dúvidas sobre a retomada, que atribui a interesses políticos de parte a parte:

– Os dois blocos atravessam uma crise de credibilidade. Assinar acordo no papel é possível, difícil é esperar profundidade e eficácia de uma Europa e de um Mercosul fragilizados – opina.

ZERO HORA 

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